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segunda-feira, 22 de setembro de 2008

Milhares protestam contra legalização do aborto no Recife


PERNAMBUCO - Ao som da Frevioca e de diversos grupos religiosos, milhares de católicos tomaram, neste domingo pela manhã, a Avenida Boa Viagem, na Zona Sul do Recife, em manifestação contra a legalização do aborto.
O ato, denominado Segunda Caminhada pela Vida, foi marcado pela alegria, presença de muitas famílias, e serviu para antecipar o início das comemorações da Semana Nacional da Vida, a ser realizada entre os próximos dias 1º e 8 de outubro em todo o País, além de reforçar o tema da Campanha da Fraternidade deste ano: Escolhe, pois, a vida.
O encontro, organizado pela Pastoral da Família da Arquidiocese de Olinda e Recife, contou com a participação de representantes da Igreja Católica de todas as regiões do Estado. Entre os organizadores do evento, o sentimento era de dever cumprido. “Acredito que conseguimos sensibilizar as pessoas para a importância de não aceitar a legalização desse atentado contra a vida. Nós católicos não iremos tolerar esta cultura de morte estabelecida na sociedade e sempre iremos celebrar a vida, assim como fez Jesus Cristo. E não é só questão do aborto. É preciso chamar a atenção para todo tipo de violência que atente contra o bem-estar das pessoas”, comentou o coordenador da Pastoral da Família, Milton Morais. Sobre a participação popular acrescentou. “O povo estava muito feliz e animado, acho que todos entenderam o recado perfeitamente.”
Entre os participantes, a satisfação em fazer parte da celebração era compartilhada com entusiasmo. “É muito gratificante ver essa quantidade de gente envolvida com uma questão dessa importância. Pessoas de todas as idades compareceram a esta festa de exaltação à vida e me orgulho de fazer parte disso. Espero que as próximas edições alcancem o mesmo sucesso das duas primeiras, para que, cada vez mais, possamos ampliar a divulgação deste ideal”, ponderou o diácono Genival Lima.
A caminhada teve início pouco depois das 9h e seguiu até o começo da tarde. O trajeto realizado pelos fiéis compreendeu a extensão entre a Pracinha de Boa Viagem e o Segundo Jardim. A estimativa da organização é que pelo menos 10 mil pessoas passaram pela avenida, praticamente o dobro da quantidade registrada no ano passado.
Fonte: O Verbo

sábado, 20 de setembro de 2008

Questão do aborto divide eleitores Cristãos nos EUA


SCRANTON - Até pouco tempo atrás, Matthew Figured, professor de catequese na Igreja Católica Romana do Santo Rosário, não conseguia decidir qual dos candidatos à presidência receberia seu voto.
Ele viu católicos progressivos trabalharem junto com os democratas nos últimos quatro anos para mostrar aos fiéis o apoio do partido às doutrinas da igreja em questões como a guerra no Iraque, imigração, saúde e diminuição do índice de abortos. Mas o bispo de sua paróquia gerou dúvidas ao proibir que o senador Joseph R. Biden Jr., de Delaware, indicado democrata à vice-presidência, recebesse a comunhão na região por causa de seu apoio ao aborto.
Por fim, bispos de todo o país criticaram Nancy Pelosi, da Califórnia, outra proeminente católica democrata, por contradizer publicamente os ensinamentos da igreja em relação ao aborto, chegando a pedir que seus párocos não votem em políticos que verbalizam tais opiniões.
Agora Figured diz que pensa em votar no candidato republicano, o senador John McCain, do Arizona. "As pessoas deveriam esclarecer suas crenças religiosas antes de tomar decisões políticas", disse Figured, 22, a caminho da missa no domingo.
Uma batalha interna da igreja católica sobre como os fiéis devem pensar a respeito do aborto voltou à cena num momento em que os partidos políticos se preparam para pleitear os votos de católicos praticantes em cidades disputadas como Scranton. A batalha ideológica tomou conta dos jornais diocesanos e homilias semanais, enquanto as campanhas disputam ligações e encontros com bispos influentes.
Os católicos progressivos reclamam que ao mencionar a história da oposição do aborto na igreja (Biden falou sobre São Thomas Aquinas, Pelosi debateu Santo Agostinho) os representantes democratas geraram um debate distrativo sobre a hierarquia da igreja.
"Falar sobre Agostinho e Aquino não ajuda", disse Chris Korzen, diretor executivo da União Católica, um grupo progressivo que veicula comerciais de televisão que enfatizam os ensinamentos de justiça social da igreja. "Seria melhor que eles se concentrassem nas políticas que irão implementar como líderes para divulgar os ensinamentos religiosos que dizem acreditar".
Os católicos conservadores, por sua vez, até pouco tempo se preocupavam com o ressurgimento de forças progressivas na igreja americana. Agora estão tranquilos. "Os democratas abandonaram o pouco progresso que haviam feito dentro da igreja", afirmou Deal Hudson, conservador católico que trabalhou na campanha do presidente Bush e agora faz parte da equipe de McCain.
Antes um bloco eleitoral democrata, os católicos agora representam um voto incerto e decisivo nas eleições presidenciais. Os católicos representam um quarto do eleitorado nacional e cerca de um terço de Estados disputados como Michigan, Missouri, Ohio e Pensilvânia.
"Quem conquistar os votos dos católicos irá conquistar nosso Estado e, geralmente, todo o país", disse G. Terry Madonna, cientista político da Faculdade Franklin & Marshall em Lancaster.
Fonte: New York Times
Via: último Segundo

quarta-feira, 17 de setembro de 2008

O aborto em questão

Código Penal brasileiro permite o aborto apenas nos casos de gestação originada de estupro ou que represente risco à vida da mãe. Mas, se depender da opinião de juízes e promotores do Ministério Público, as possibilidades de abortamento legal devem aumentar. Nada menos que 78% deles são favoráveis à flexibilização do Código Penal no que se refere à interrupção forçada da gravidez. Os estudos foram feitos pelo Centro de Pesquisas em Saúde Reprodutiva de Campinas (Cemicamp) e coordenados pelo ginecologista Aníbal Faúndes, da Faculdade de Ciências Médicas da Unicamp (Universidade Estadual de Campinas). Os pesquisadores ouviram 1.493 juízes e 2.614 promotores de todas as regiões brasileiras.No caso dos juízes, 61,2% apontaram necessidade de mudanças na legislação atual para aumento das circunstâncias em que não se pune o aborto praticado por médicos. Outros 16,8% dos magistrados se disseram favoráveis à descriminalização do aborto, independentemente da circunstância, totalizando 78% favoráveis à mudanças na lei. Na mesma pesquisa, 12,5% dos promotores disseram ser a favor da não-penalização do aborto em qualquer caso e 3,2% opinaram que a prática nunca deve ser permitida.Segundo a pesquisadora Graciana Duarte, do Cemicamp, as 35 perguntas das pesquisas foram enviadas a juízes e promotores por meio de malotes, com apoio de associações de classe das duas categorias. Os estudos começaram em 2005 e foram concluídos no ano passado. Entre as questões enviadas estavam, por exemplo, se os juízes ou promotores defendem a permissão do aborto em caso de risco para a gestante. Outra questão tratava da opinião dos entrevistados sobre gravidez após estupro.O juiz José Henrique Torres, da Vara do Júri de Campinas (SP), defendeu a descriminalização da prática: “Vivemos sob uma ilegalidade consentida. O aborto deve ser tratado como problema de saúde pública, e não enfrentado dentro do sistema criminal.” Segundo o magistrado, há poucos casos de abertura de inquéritos para apurar casos de aborto por má-formação fetal – tipo de caso que tem levantado grande polêmica no país, sobretudo quando a deformidade é a anencefalia, ou ausência de cérebro no feto. "Sou a favor da descriminalização em qualquer hipótese, mas enquanto isso não acontece, que sejam pelo menos descriminalizados os casos de má-formação fetal."
Fonte: Cristianismo hoje