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segunda-feira, 13 de julho de 2009

Iraque reforça segurança antes de retirada americana

As autoridades do Iraque estão reforçando a segurança no país em preparação para o fim do prazo para a retirada das tropas americanas das cidades iraquianas, na próxima terça-feira.

As forças americanas já deixaram muitas bases em cidades como Bagdá, mas manterão posições em localidades rurais não muito afastadas das cidades, permitindo um deslocamento rápido se houver um chamado por parte das forças iraquianas.

O governo iraquiano cancelou todas as férias de policiais e convocou novos contingentes militares, em meio a uma onda de ataques a bomba nesta semana que deixaram ao menos 250 pessoas mortas.

O primeiro-ministro Nouri Maliki disse que os ataques tinham como objetivo elevar as tensões sectárias no país.

Mas ele se disse confiante de que seu governo poderá garantir a segurança nas cidades do país após a retirada americana.

“(Os responsáveis pelos ataques) querem varrer a alegria dos corações do povo iraquiano. Eles revelaram suas verdadeiras intenções”, afirmou Maliki.

“Mas isso não vai dobrar nossa determinação e vontade para o que acertamos – ou seja, para o retorno das responsabilidades de segurança para nossas forças militares e policiais”, disse.

Acordo

Um acordo entre os Estados Unidos e o governo iraquiano prevê que a maioria dos 133 mil militares americanos no Iraque deixem as ruas das cidades e se mantenham concentrados em suas bases a partir do dia 30 de junho.

O plano dos Estados Unidos prevê o fim das operações de combate no Iraque até setembro de 2010 e a retirada de todas as tropas americanas no país até o fim de 2011.

Em preparação para a retirada americana desta terça-feira, as autoridades iraquianas estão dando uma atenção particular ao controle dos acessos a mercados.

Esses locais têm sido alvos preferenciais de ataques a bomba que têm como objetivo deixar o maior número possível de vítimas.

A maioria dos ataques têm sido promovidos contra bairros e locais sagrados da maioria xiita.

O premiê iraquiano, que é xiita, acusa militantes extremistas sunitas ligados à rede Al Qaeda pelos ataques recentes.

Ele pediu que a população se junte em uma demonstração de unidade nacional contra as provocações.

Ataques a bomba atingem seis igrejas cristãs no Iraque

Uma série de ataques a bomba, aparentemente coordenados, atingiu seis igrejas cristãs em Bagdá, no Iraque, neste domingo.

Pelo menos quatro pessoas morreram e 30 ficaram feridas.

As mortes ocorreram na maior das explosões, em que um carro-bomba foi usado para atingir uma igreja na zona leste da capital iraquiana.

Segundo a polícia, outros cinco ataques realizados nas últimas 24 horas deixaram cerca de dez feriods.

A comunidade cristã do Iraque é composta por cerca de 750 mil pessoas.

Alvos cristãos já foram atingidos no passado, mas em geral são poupados da maior parte dos incidentes violentos no país.

Ainda neste domingo, um alto funcionário do Exército iraquiano afirmou que os ataques insurgentes ainda devem ocorrer por vários anos.

O nível de violência caiu nos últimos anos, mas as declarações do funcionário sugerem que os líderes iraquianos esperam que os ataques esporádicos continuem, depois que as forças americanas forem retiradas do Iraque, até o fim de 2011.

sexta-feira, 10 de julho de 2009

Jogador brasileiro na Inglaterra atua também como Pastor

Segundo o jornal britânico “The Sun”, o atacante brasileiro Geovanni encontrou uma atividade extra durante suas férias: atuar como uma espécie de pastor em uma igreja de Manchester. O ex-jogador do Cruzeiro é titular do clube inglês Hull City.

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Na Igreja “Comunhão da Nova Esperança”, Geovanni trabalha com jovens. Ele também ensina futebol a crianças, desde que chegou ao clube, há dois anos.

– Geovanni faz um grande trabalho com os garotos da região. Como o Kaká, ele é um brasileiro que mantém a fé e a humildade mesmo vivendo em situação bastante diferente. Ele quer fazer parte da comunidade e ajudar no desenvolvimento do bom comportamento da juventude – explicou o pastor Ezequias Santos, líder da Igreja.

Atualmente, Geovanni está em pré-temporada com o Hull City na Itália.
Fonte: Globo Esporte / Gospel+

quinta-feira, 9 de julho de 2009

Saiba como a nova lei eleitoral prejudica o livre uso da internet na política brasileira

A Câmara aprovou ontem (8.jul.2009) um projeto de lei eleitoral que contém muitas restrições ao livre uso da internet na política. Trata-se também de um claro atentado à liberdade de expressão no país. Saio excepcionalmente das férias para comentar.
A lei ainda precisa ser aprovada pelo Senado até setembro para ter validade na eleição de 2010. Ou seja, em tese, ainda há tempo de corrigir as aberrações que podem ser introduzidas na web brasileira –contrariando o que se faz de mais moderno nos países desenvolvidos: liberar completamente a internet.

Os deputados fizeram um bom serviço vendendo para parte da mídia e idéia de que vão “liberar” o uso da internet na política. Aqui e aqui, as reportagens oficiais da Câmara. É uma inverdade afirmar que haverá liberação.

Os deputados equipararam a internet às emissoras de rádio e de TV. Quase tudo ficará restrito.

Vale também registrar que a atual legislação geral já contém o maior dos absurdos: proibir que qualquer ser humano se declare candidato antes de 5 de julho do ano da eleição. No Brasil, antes dessa data, não se pode fazer campanha, arrecadar fundos, nada. Nos EUA, como comparação, Barack Obama e seus adversários ficaram quase 2 anos em campanha.

A internet mais restrita nas eleições no Brasil

Produção de conteúdo, jornalístico ou não, em sites, blogs etc.:

Como é hoje: há algumas restrições, mas mais liberdade em relação às normas do rádio e da TV. Debates, por exemplo, não são proibidos pela lei na internet.

Como pode ficar: a internet passa a ser considerada igual a emissoras de rádio e de TV. As mesmas regras serão integralmente aplicadas para “provedores de conteúdo e de serviços multimídia, bem como às empresas de comunicação social na Internet, nos conteúdos disponibilizados em suas páginas eletrônicas”.

Debates, antes não regulados para a internet, passam a ser autorizados apenas quando “assegurada a participação de candidatos dos partidos com representação na Câmara dos Deputados e facultada a dos demais”. Ou seja, é necessário que todos os candidatos concordem em participar para viabilizar o encontro (na realidade, a nova lei fala em 2 terços dos candidatos, o que não ajuda muita coisa em se tratando de internet).

Obs.: segundo o relator do projeto, Flávio Dino (PC do B-MA), sua intenção seria apenas a de aplicar essas regras restritivas aos grandes portais, blogs e sites com finalidade comercial. Mas como os sites e blogs de pessoas físicas, sem fins lucrativos, estão hospedados em provedores e portais comerciais, a distinção e a fiscalização ficam quase impossíveis.

Doação por meio da internet

Como é hoje: tema não está regulado, mas no entendimento do presidente do TSE, Carlos Ayres Britto, a lei 9.504, de 1997, já contempla essa modalidade de doação em seu artigo 23, pois no parágrafo 4º estão descritas como as “doações de recursos financeiros” poderão ser efetuadas diretamente na conta bancária de campanha aberta pelos políticos com essa finalidade única. No inciso 1 desse parágrafo está escrito que as doações podem ser por meio de “cheques cruzados e nominais ou transferência eletrônica de depósitos”.

Na internet, doações por meio de cartões de débito ou crédito equivalem a “transferência eletrônica de depósitos”. O dinheiro vai diretamente para a conta bancária do candidato. O recibo da operação, exigido por lei, é o extrato bancário do candidato que vai identificar com nome, CPF e número do cartão quem foi o depositante de cada valor.

Essa modalidade de financiamento não foi usada por duas razões principais até agora: a) nenhum candidato apresentou esse tipo de proposta exatamente como descrito acima aos 27 TREs ou ao TSE e b) a Justiça Eleitoral foi conservadora e não se antecipou para regular o assunto.

Como pode ficar: a nova lei torna explícita a possibilidade de políticos receberem doações por meio da internet durante as campanhas. Essa modalidade não é extensível aos partidos políticos e a períodos não eleitorais.

Obs.: bem intencionada, a decisão dos deputados é tautológica. A lei atual já permite as doações, desde que o sistema montado pelos candidatos interessados seja claro e seguro o suficiente para garantir a identificação de todos os doadores que fizerem transferência de recursos pela internet.
Propaganda na internet

Como é hoje: é proibida, em todas as suas formas, exceto no site do próprio candidato.

Como pode ficar: continuará sendo proibido comprar espaços publicitários em portais, sites, blogs, redes de relacionamento etc. Mas será aceitável, apenas a partir de 5 de julho do ano da eleição, que o próprio candidato faça propaganda em seu site (cujo registro terá de ser comunicado à Justiça Eleitoral) que terá necessariamente de estar hospedado em “provedor de serviço de Internet estabelecido no país”.

Também está autorizado esse tipo de propaganda (desde que gratuita) em sites de partidos e coligações (sempre comunicando previamente à Justiça Eleitoral), “por meio de mensagem eletrônica para endereços cadastrados gratuitamente pelo candidato” e “por meio de blogs, redes sociais, sítios de mensagens instantâneas e assemelhados de candidatos, partidos ou coligações ou de iniciativa de qualquer pessoa natural”.

Obs.: o problema é que essa propaganda fica toda sujeita às mesmas regras da propaganda eleitoral em rádio e TV. Há severas punições para os sites, blogs etc. que forem alvo de ações por parte de políticos que se sintam ofendidos, como está descrito no item a seguir, sobre “direito de resposta”.

Direito de resposta

Como é hoje: como em qualquer outro meio. Quando alguém se sente ofendido, busca reparação diretamente no site responsável ou vai à Justiça. Pela sua agilidade, a internet tem a tendência de publicar as reparações com mais rapidez.

Como pode ficar: a lei passa a determinar, de maneira bem rigorosa, que internet também fica sujeita à modalidade de direito de resposta política. Esses processos são julgados rapidamente, por determinação legal. Portais, sites, blogs e outros meios na internet ficam obrigados a divulgar a mensagem do político “no mesmo veículo, espaço, local, página eletrônica, tamanho, caracteres e outros elementos de realce usados na ofensa, em até quarenta e oito horas após a entrega da mídia física com a resposta do ofendido”.

Mais dois detalhes restritivos: “A resposta ficará disponível para acesso pelos usuários do serviço de Internet pelo tempo não inferior ao dobro em que esteve disponível a mensagem considerada ofensiva” e “os custos de veiculação da resposta correrão por conta do responsável pela propaganda original”.

Obs.: essas medidas terão grande efeito inibidor da liberdade de expressão na internet, cuja característica principal é o caráter pessoal e irreverente de blogs e sites pessoas físicas. O relator do projeto, Flávio Dino (PC do B-MA), disse estar tentando diferenciar o sites e portais comerciais da imensa maioria da comunidade na internet que apenas usa a rede para expressar opiniões pessoais. Mas como todos os sites e blogs estão hospedados em provedores comerciais, essa distinção e fiscalização se tornam quase impossíveis.

Blogs, redes de relacionamento social etc.

Como é hoje: é proibido ao candidato ter esse tipo de ferramenta em sua campanha. Pessoas físicas também estão proibidas de fazer campanha pelos políticos.

Como pode ficar: foi difundida a tese de que tudo seria liberado. Não é verdade. Na prática, como vão valer as regras do rádio e da TV para a internet, qualquer pessoa corre o risco de ver interditado seu site, blog ou comunidade em redes de relacionamento se algum político se sentir ofendido. Por exemplo, a proposta de lei proíbe o uso de “recurso de áudio ou vídeo que, de qualquer forma, degradem ou ridicularizem candidato, partido ou coligação”. Também está proibido “dar tratamento privilegiado a candidato, partido ou coligação”.

Obs.: será impossível haver liberdade de expressão e informação para os milhares de blogs e sites se for necessário evitar humor que possa eventualmente “ridicularizar” algum político. Também não será possível fazer um blog a favor de um candidato se a lei proibir “dar tratamento privilegiado a candidato, partido ou coligação”.


Por Fernando Rodrigues / Blog do Fernando Rodrigues / Uol Notícias

Dois ortodoxos são mortos em confrontos com a polícia

ETIÓPIA (45º) - Em 30 de junho, a polícia matou dois membros da Igreja Ortodoxa Etíope (IOE) e feriu outros 12 em uma ação para reprimir a construção “ilegal” de um prédio da IOE. O incidente ocorreu na cidade de Dessie.

Outras fontes afirmam que a repressão é por causa de uma disputa entre a IOE e muçulmanos.

Em setembro último, o governo local revogou a licença concedida à IOE para a construção da Igreja Memorial Arsema. O governo alegou que a terra seria de alguns muçulmanos, que a utilizariam para construir um cemitério.

Líderes da IOE, entre eles o bispo da região, refutaram as afirmações dos muçulmanos e insistiram em continuar a construção.

As autoridades declararam que a licença havia sido um equívoco e suspenderam a construção do edifício, removendo as estruturas já construídas no terreno.

No dia 30 de junho, líderes ortodoxos organizaram um protesto para demonstrar sua insatisfação.

Segundo algumas fontes, o bispo Abune Athanasius, da diocese de Wollo, solicitou permissão do governo para o evento. Ele foi alertado que seria responsabilizado por qualquer incidente.

Athanasius insistiu em realizar a manifestação e convocou membros da IOE para participarem.

Os manifestantes marcharam até a prefeitura, mas ninguém apareceu para responder às suas perguntas.

Revoltados com o pouco caso do governo, os organizadores da passeata incentivaram os manifestantes a levantar fundos para a construção da igreja, desafiando a ordem da prefeitura.

Uma testemunha disse que, rapidamente, coletaram 80 mil birr (cerca de 7 mil dólares). À tarde, o material para a construção já havia sido comprado e os manifestantes já se dirigiram ao terreno, para continuar a edificação. Policiais que montavam guarda tentaram resistir à multidão, mas esta forçou a entrada.

A polícia federal foi enviada para dispersar o grupo, que se negou a cooperar. Isso levou a um conflito aberto, no qual a polícia deu alguns disparos.

Fontes oficiais dizem que duas pessoas morreram, mas testemunhas afirmam que foram cinco. Doze pessoas foram feridas.

O clima em Dessie continua tenso, pois o funeral das vítimas pode ser o palco de outro conflito entre ortodoxos e a polícia.

Especialistas dizem ser raro que líderes da IOE contrariem ordens do governo. Para eles, parece que a decisão de Abune Athanasius era mais voltada a resistir aos muçulmanos do que ao governo.

Tradução: Texto traduzido pela fonte / www.portasabertas.org.br

segunda-feira, 6 de julho de 2009

Ateísmo de Richard Dawkins defende fim da influência da religião, em conferência no paraíso da Flip

Mesmo não podendo estar lá, dá pra sentir de longe o gostinho maravilhoso da 7ª Festa Literária Internacional de Paraty (Flip), no estado do Rio de Janeiro, com sua variedade temática e debates estimulantes. Sobre religião, o destaque é para o inglês Richard Dawkins que encara como uma missão "defender a ciência e o fim da influência da religião no mundo". Na conferência de 2/7, Dawkins reconheceu a religião como fonte de alívio e conforto, e sua forte influência nas artes, mas não considerou os dois argumentos suficientes para validá-la. “O fato de as pessoas encontrarem alívio e conforto na religião não significa que ela seja verdadeira”, afirmou.

A participação de Dawkins é um dos destaques da Flip no ano em que a publicação de A Origem das Espécies, de Charles Darwin, comemora 150 anos. Autor do polêmico livro Deus, um Delírio, traduzido para 31 idiomas, ele insiste que não há evidência para a criação do Universo tal como sustenta a religião. “O mundo é cheio de mitos maravilhosos, com uma beleza poética fabulosa”, disse. O biólogo defendeu o ateísmo e, bem humorado, convocou os ateus a saírem do armário. “Há muitos ateus que nunca ousaram levantar a sua voz. Nós fomos educados para não atacar a religião. A crítica mais suave pode soar agressiva”, afirmou.

Perguntado sobre o medo da morte, Dawkins disse que teria, caso fosse religioso e pelo mistério que existe em torno dela, e o que vem depois. “Não antecipo, nem aguardo ansiosamente o processo da morte. Faço parte da única espécie condenada a sofrer”, disse.

Dawkins encerrou a sua participação, no palco principal da Flip, respondendo a um leitor que, da plateia, quis saber qual seria a reação do cientista se se descobrisse diante de Deus. Ele afirmou que, primeiramente, perguntaria de qual deus tratava-se. Em seguida acrescentaria: “Não há evidência de que você seja Deus”.

(Até aqui, com texto da Agência Brasil - Lísia Gusmão)

Uma resposta evangélica ao chamado "fundamentalismo ateísta" de Dawkins é o livro "O delírio de Dawkins", de Alister e Joanna McGrath, lançado em 2007 pela editora Mundo Cristão.

O debate é de gigantes: tanto Dawkins quanto os McGrath são cientistas de primeira. A ponto de o diretor do Projeto Genoma, Francis Collins, comentar o entrevero: "Alister McGrath (Universidade de Oxford) analisa as conclusões do livro Deus, um delírio e desmantela o argumento de que a ciência deve levar ao ateísmo. McGrath demonstra como Richard Dawkins abandonou sua usual racionalidade para abraçar o amargo e dogmático manifesto do ateísmo fundamentalista".

Resenha do livro diz: "Alister, outrora ateu, doutorou-se em biofísica molecular antes de tornar-se teólogo. Admirador da obra de Dawkins, Alister revela sua perplexidade pela guinada irracional de seu colega de Oxford, não tanto pelo ateísmo em si, mas pela absoluta inconsistência de seus argumentos, aliados à intolerância desmedida".

No site da Flip 2009, texto da assessoria de comunicação diz:

"Com prosa calma e tiradas bem-humoradas, além da camisa de motivos florais em preto-e-branco que lhe dava um curioso aspecto tropical-britânico, o cientista Richard Dawkins (queniano que estudou na Inglaterra) falou sobre um tema que, como se viu, parece ser do interesse de todos: Deus. O auditório, lotado, aplaudiu-o diversas vezes. E se é mesmo que Deus não existe, como assegura Dawkins, ateu convicto e darwinista fervoroso, pelo menos existiu durante uma hora e meia, tal o número de vezes em que foi citado na última sessão da quinta-feira na Tenda dos Autores.

"Dawkins, cientista premiado, tem vários de seus livros lançados no Brasil. Deus, um Delírio, e A Grande História da Evolução foram as principais referências para a conversa que o autor manteve com o jornalista Silio Boccanera na forma de uma entrevista solta e flexível, que lhe abriu espaço para longas digressões. Referindo-se ao segundo título mencionado acima, Dawkins explicou: “Eu queria fazer um livro grande sobre a história da vida, que começasse no presente e retroagisse em busca de nossos ancestrais, numa espécie de romaria como a daquelas pessoas que, na Idade Média, partiam de Londres até a catedral de Canterbury, no sul da Inglaterra. E ao longo desse trajeto regressivo vamos encontrar inúmeros companheiros de viagem, como minhocas, caramujos e insetos”.

"Embora adepto da teoria evolucionista, Dawkins se diz contrário à aplicação das ideias darwinistas ao campo social. Segundo ele, isso pode resultar em ideologias como o nazismo e outros modelos de pensamento que se baseiam numa suposta lei do mais forte para justificar a segregação racial. Ele admite que havia traços racistas e também sexistas em Darwin, porém considera tais posturas perfeitamente explicáveis na sociedade vitoriana do século XIX. “Em matéria de política, sou antidarwinista”, esclareceu. “Podemos e devemos lutar contra nossos genes.”

"Sem ser religioso, Dawkins admite a importância da religião como fonte inspiradora para escritores e artistas, citando os exemplos da Capela Sistina e da música de Bach. “Não é possível entender a história europeia sem a compreensão da Bíblia, e o mesmo vale para os deuses gregos”, reflete. “Tudo isso faz parte da nossa herança. Porém a arte não valida a religião. Devemos levar em conta que os artistas trabalhavam para quem podia pagá-los. E quem os pagava eram pessoas religiosas.” Para Dawkins, os poetas e artistas ainda não deram a devida atenção à ciência como inspiração para suas obras, do mesmo modo como sempre o fizeram com a religião e o amor. Trata-se de um campo inexplorado e promissor, na opinião dele.

"Na parte final da entrevista, reservada a perguntas da plateia, Dawkins foi uma vez mais questionado a respeito de seu ateísmo em face da morte. Para ele, não há dúvida de que vivemos uma vida apenas, não mais, e justamente por isso é importante saber vivê-la na sua plenitude. “Se eu fosse religioso, poderia temer a morte por não saber o que virá depois”, explica. “Como sei que não virá nada, então estou tranquilo. Estando morto, não vou sentir falta da vida.” Risadas no auditório. E mais palmas para Dawkins."

Chega a 140 o número de mortos em protestos de muçulmanos na China

Folha Online

Um protesto da minoria étnica uigur no oeste da China deixou ao menos 140 mortos e 828 feridos na Província de Xinjiang, de maioria muçulmana. Um protesto contra discriminação que começou pacificamente, no domingo (5), terminou em um confronto de civis contra policiais e militares.

Segundo a agência de notícias Xinhua, entre 1.000 e 3.000 pessoas saíram às ruas de Urumqi (3.270 km de Pequim), capital da região autônoma de Xinjiang, para protestar contra a morte de dois uigures em uma fábrica de brinquedos do sul do país, após eles terem sido linchados. Os uigures criticavam a discriminação por parte da etnia han, dominante no país.

A manifestação rapidamente se tornou um ato de vandalismo na cidade. Redes de TV chinesas mostram os manifestantes quebram lojas e queimarem carros da cidade. Wu Nong, diretor do departamento de imprensa do governo local, informou que 260 veículos foram atacados e 203 casas ou lojas ficaram destruídas.

A polícia e militares do Exército chinês foram chamados para conter a manifestação. Segundo os civis, o grupo foi duramente reprimido pela polícia antes de começarem os episódios de violência. Os manifestantes acusam a polícia de atirar indiscriminadamente contra os civis.

"Ficamos extremamente preocupados com esse uso da força pelas forças de segurança chinesas contra menifestantes pacíficos", afirmou Alim Seytoff, vice-presidente da associação uigur americana, em Washington. "Pedimos que a comunidade internacional condene as mortes de uigures inocentes."

O governo chinês diz que o levante foi incentivado por grupos separatistas exilados que subverteram a ordem na região. "Depois do incidente [na fábrica], as forças externas acharam um motivo para nos atacar, incitando estes protestos de rua", afirmou Nuer Baikeli, governador de Xinjiang.

A polícia divulgou nesta segunda-feira que ao menos dez pessoas foram presas acusadas de incitar os protestos. Foi decretado toque de recolher na região e "agora a situação está sob controle", informou nota da polícia.

A cidade, com população de 2,3 milhões de pessoas, é o local de maior concentração da população muçulmana na China. Os uigures são uma minoria predominantemente muçulmana.

Muitos reclamam que estão sendo marginalizados econômica e politicamente em suas próprias terras, que possui ricas reservas de gás natural e minerais. Há entre 15 milhões e 20 milhões de islâmicos na China, quase a metade em Xinjiang. Os chineses da etnia han formam cerca 91,5% da população do país.

Com agências internacionais

sábado, 4 de julho de 2009

Comunidade internacional classifica testes com mísseis da Coreia do Norte como provocação

da Folha Online

A Coreia do Norte lançou neste sábado (4) pelo menos sete mísseis balísticos de sua costa leste, após ter testado outros quatro na quinta-feira (2), em um novo desafio à comunidade internacional e em uma demonstração do poderio militar do regime comunista. O episódio, que viola resoluções da ONU (Organização das Nações Unidas) também é apontado como um desafio aos Estados Unidos, no dia em que o país comemora o Dia da Independência.
Os projéteis foram lançados entre as 8h e as 16h10 de hoje (20h da sexta-feira e 4h10 de Brasília de hoje), a partir da base militar de Gitdaeryong, próxima à cidade litorânea de Wonsan, situada ao sudeste da Coreia do Norte, e têm um alcance de entre 400 km e 500 km, segundo o governo da Coréia do Sul.

Entenda o que está em risco com a tensão com a Coreia do NorteVeja o histórico de testes nucleares e balísticos da Coreia do NortePrograma nuclear é trunfo para Coreia do Norte; entendaComunista, país surgiu em meio à Guerra Fria; saiba mais

Os Estados Unidos pediram que a Coreia do Norte não agrave a tensão já existente entre o país e a comunidade internacional. "A Coreia do Norte deveria se abster de ações que agravam a tensão e se dedicar às negociações sobre sua nuclearização, cumprindo seus compromissos da declaração conjunta do dia 19 de setembro", afirmou Karl Duckworth, porta-voz do Departamento de Estado. "Este tipo de comportamento dos norte-coreanos não ajuda", acrescentou.
A União Europeia (UE) considerou o lançamento uma "provocação". "A UE condena o lançamento de mísseis, considera uma provocação e exige que a Coreia do Norte volte à mesa de negociações", afirmou Cristina Gallach, porta-voz do alto representante para Política Externa e Segurança Comum do bloco, Javier Solana.

As autoridades sul-coreanas dizem que continuam estudando os testes para determinar as intenções do regime comunista e o tipo exato de mísseis que foram lançados --a suspeita é que os projéteis são do tipo Scud e parecem ter caído no Mar do Leste (Mar do Japão) sem causar danos.

As autoridades sul-coreanas não descartam também que sejam projéteis Rodong, um tipo de Scud melhorado. Esses mísseis podem alcançar uma distância de entre 1.000 km e 1.400 km, mas teriam sido modificados especialmente para a realização deste teste, com o objetivo de que caíssem antes.

Contexto

Seul considera também os testes de hoje uma mensagem política do regime de Kim Jong-il em resposta às novas e mais duras sanções impostas pelo Conselho de Segurança da ONU à Coreia do Norte, por causa do segundo teste nuclear do regime norte-coreano, realizado em 25 de maio.
"Os mísseis lançados em 2 de julho foram analisados como manobras militares (anunciadas na semana passada pela Coreia do Norte). No entanto, os de hoje parecem ter uma intenção política, já que foram disparados no Dia da Independência dos EUA", disse uma fonte anônima do governo de Seul, citada pela agência Yonhap.

O lançamento também com um momento de incerteza sobre o futuro político do regime de Kim Jong-il, que --segundo especulações-- teria sofrido um derrame cerebral em agosto do ano passado.

O teste balístico foi recebido com consternação pelos moradores da região, com o Japão, o primeiro a reagir, qualificando-o como um "sério ato de provocação contra a segurança regional" e "contra a resolução do Conselho de Segurança das Nações Unidas".

O governo japonês apresentou hoje um protesto formal à Coreia do Norte por este novo teste balístico, por meio dos canais diplomáticos do regime comunista em Pequim, e iniciou uma equipe especial de trabalho para estudar cuidadosamente este novo desafio.

Com Efe e France Presse

quinta-feira, 2 de julho de 2009

Tribunal na Índia derruba lei que proíbe sexo entre homossexuais

A Alta Corte da capital da Índia, Nova Déli, decidiu que as relações sexuais consentidas entre adultos do mesmo sexo devem deixar de ser crime no país. A corte considerou a lei discriminatória e uma "violação dos direitos fundamentais".

A decisão reverte uma lei de 148 anos que havia sido herdada do tempo em que o país era uma colônia britânica e que qualificava sexo entre indivíduos do mesmo gênero como "um atentado contra a natureza".

Relações sexuais entre gays eram passíveis de multa ou uma punição de até dez anos de cadeia.

O correspondente da BBC na Índia, Soutik Biswas, disse, contudo, que a decisão judicial poderá ser contestada pois os valores sociais conservadores ainda são fortes no país.

Discurso Gays estão sujeitos a ser discriminados e perseguidos diariamente na Índia. E a descriminação pode abrir caminho para uma mudança de discurso em um país onde sexo, de maneira geral, é assunto delicado. Segundo Biswas, até falar sobre o assunto pode ser um tabu.

Defensores dos direitos dos gays em todo o país saudaram a decisão do tribunal em Déli e disseram que este é o "Stonewall da Índia", em uma referência a uma rebelião provocada por uma batida policial em 1969, no bar gay Stonewall, em Greenwich Village, Nova York, que marcou o lançamento do movimento pelos direitos dos homossexuais nos Estados Unidos e no mundo.

"Eu acredito que o que vai acontecer agora é que poderemos reclamar muito dos direitos fundamentais e civis que nos foram negados", disse à BBC o advogado e ativista Aditya Bandopadhyay, acrescentando que a decisão restora a sua "fé no Judiciário".

Outro ativista destacado, Ashok Row Kavi, editor da primeira revista para gays do país, elogiou a decisão judicial mas disse que o preconceito contra homossexuais vai continuar.

"O estigma social vai persistir. É uma longa batalha. Mas a decisão vai ajudar na prevenção da propagação do vírus HIV (que causa a Aids). Agora homens gays podem ir ao médico e falar sobre os problemas deles. Vai ajudar a impedir intimidação em delegacias." Igreja Mas a reversão da antiga lei incomodou outros grupos. Segundo o correspondente da BBC em Nova Déli Chris Morris, líderes religiosos hindus, muçulmanos e cristãos se disseram contra a legalização do sexo entre homossexuais.

Em 2004, o governo da Índia se opôs a uma petição legal que buscou legalizar o homossexualismo, mas o documento foi rejeitado pelo tribunal de Déli.

Grupos de direitos de cidadãos e a Organização Nacional para o Controle da Aids (Naco, um órgão do governo da Índia) exigiram que o homossexualismo fosse legalizado.

Estima-se que mais de 8% dos homens homossexuais na Índia sejam portadores do vírus HIV, em comparação a menos de 1% na população do país.
Fonte: BBC Brasil /UOL

quarta-feira, 1 de julho de 2009

Igreja é lacrada, pastor e membros são presos


CHINA (12º) - O pastor Dou Shaowen e sua esposa Feng Lu, da Rock Church em Zhengzhou, foram condenados a um ano e meio de reeducação por trabalho por “realizar atividades religiosas ilegais”. O advogado Li Dunyong viajou para a cidade a fim de representar o pastor Dou e Feng Lu na revisão e apelação da sentença.

Enquanto o pastor Dou Shaowen continua preso no campo de trabalho, os oficiais liberaram Feng Lu na tarde do dia 25 de junho. As autoridades permitiram que Feng Lu cumpra sua sentença em casa, para poder cuidar de sua filha de 12 anos. Ela deve se reportar ao Escritório de Segurança Pública regularmente, e pode ser enviada para o campo de trabalho a qualquer hora, se “realizar atividades religiosas ilegais” novamente.

O pastor Dou Shaowen e sua esposa foram presos no dia 14 de junho, quando dezenas de oficiais invadiram o culto de domingo. Eles fotografaram e fizeram vídeos dos mais de 100 cristãos presentes e cortaram a eletricidade para forçá-los a ir embora. Os oficiais lacraram todas as dependências da igreja. Outros cinco cristãos – Li Zhemin, Wei Jianhua, Zhang Julin, Ma Jianbo e Li Cuiying – foram presos com o pastor Dou e Feng Lu. Cada um foi condenado a 15 dias de detenção administrativa e forçados a pagar multa.


Tradução: Portas Abertas