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segunda-feira, 31 de agosto de 2009

“Política: das falácias do poder aos desafios do servir” é tema de aula inaugural em escola cristã

Em tempos de crescente participação de evangélicos na política, em especial das correntes pentecostal e neopentecostal, o professor Saulo Baptista, da Universidade Estadual do Pará, falou aos alunos do curso de Teologia da Metodista de Minas, Instituto Izabela Hendrix, sobre "as estratégias e práticas das igrejas evangélicas que atuam na política nacional". Ao final da palestra, deixou uma lista de desafios e responsabilidades que afetam de maneira ainda mais especial aqueles que, além de cidadãos brasileiros, estão no Reino de Deus.

"Quero concluir com alguns desafios para todos nós, que atuamos nos campos da Teologia e das Ciências da Religião. Creio que essas propostas têm um peso maior de responsabilidade para quem, além de cidadão de um Estado qualquer, é cidadão do Reino de Deus", declarou o professor.

Dentre os desafios propostos aos cientistas da religião e teólogos, destacam-se:

- "Descobrirmos e enfrentarmos as articulações políticas e os comportamentos das lideranças religiosas, que quase sempre se lançam à conquista do poder político para reforçarem suas posições relativas dentro e fora das instituições, quando, ao contrário, deveriam zelar pela propagação da fé, formação ética de bons cidadãos e construção de uma nova sociedade";

- "Pesquisar e oferecer à sociedade brasileira um testemunho que ajude os fiéis a entenderem a riqueza de sentido e de produção simbólica que a fé cristã tem a oferecer, e o que há de manifestação da presença divina em outras tradições religiosas";

"Conscientizar a base das igrejas da força que discursos e símbolos religiosos carregam e como podem ser usados para o mal, se forem empregados para manipular fiéis como massas de manobra, ou como currais eleitorais";

"Chamar as lideranças religiosas para um diálogo franco, identificando quais dentre elas são pessoas de boa-vontade, dispostas a construir organizações religiosas, nas quais a fé se torne uma pedagogia madura e engajada na justiça e na verdade, um exercício de compreensão dos problemas para elevar o grau de consciência crítica da própria sociedade. Para isto acontecer, essas organizações deverão tornar-se laboratórios de autogoverno, comunidades de iguais, onde os líderes estarão ali para servir, ou seja, serão servos e servas, irmãos e irmãs, companheiros e companheiros, sem a existência de detentores privilegiados do saber e do poder".

Saulo é autor do livro “Pentecostais e neopentecostais na política brasileira: estudo sobre cultura, política, Estado e atores coletivos religiosos no Brasil”, lançado, em Belo Horizonte, após a palestra, no dia 17 de agosto. Na obra, o professor aborda a questão do ponto de vista sociológico e analisa o envolvimento de políticos da “bancada evangélica” em escândalos de corrupção, como os do mensalão e das ambulâncias.

Leia aqui a íntegra da aula ministrada pelo professor Saulo Baptista.

Igreja e mobilidade urbana

Redução dos tempos de viagem entre a casa e o trabalho e para levar o filho à escola, menos consumo energético e impacto ambiental. Quem diz que isso nada tem a ver com a missão da igreja, esquece de como isso afeta a qualidade emocional de vida das famílias, a paz e o equilíbrio interior dos indivíduos, a manutenção dos recursos naturais da Criação. Boas sugestões para o poder público em espaço adequado como uma conferência das cidades sobre o tema, além do incentivo aos membros da comunidade cristã para que dêem prioridade ao transporte coletivo, aos pedestres e às bicicletas, são formas de participar. Esta semana, em Brasília, acontece a X Conferência das Cidades, com troca de informações entre Parlamento e sociedade (inclui igrejas) sobre mobilidade urbana: transporte coletivo, meios alternativos, acessibilidade. Dias 1º e 2/9, na Câmara Federal.

Mobilidade Urbana é assunto de elevada importância no contexto urbano. O encontro entre os deputados e a sociedade pode ser fonte de novas idéias e práticas para uma convivência mais harmônica e inclusiva no espaço urbano.

O
formulário de inscrição na Conferência das Cidades está na internet.
Fonte: www.agenciasoma.org.br

sábado, 29 de agosto de 2009

CMI elege pastor norueguês para a secretaria geral

O teólogo e pastor luterano norueguês, Olav Fykse Tveit, 48 anos, foi eleito pelo Comitê Central, hoje, secretário geral do Conselho Mundial de Igrejas (CMI). Tveit é o sétimo e o mais jovem eleito para o cargo desde a fundação do organismo ecumênico, há 60 anos.

Genebra, quinta-feira, 27 de agosto de 2009

"Realmente sinto que esta tarefa é um chamado de Deus. Sinto que temos muito que fazer em conjunto", disse Tveit ao tomar conhecimento da sua escolha. Ele pediu aos integrantes do Comitê a continuar orando por ele: "Por favor, não parem!", disse.

Tveit disputou o cargo com o teólogo presbiteriano da Coréira do Sul, reverendo Park Seong-won. Ele sucederá no cargo o pastor metodista Samuel Kobia, que informou ao Comitê Central, em fevereiro de 2008, que não disputaria um segundo mandato. Kobia assumiu a secretaria geral em janeiro de 2004.

Desde 2002, Olav Fykse Tveit ocupa o cargo de secretário geral de Ecumenismo e Relações Internacionais do Conselho de Igrejas da Noruega. Ele é membro da Comissão de Fé e Constituição do CMI e integra o comitê executivo do Conselho Cristão da Noruega.

O bispo da Igreja Metodista da Bolívia e membro do Comitê Central do CMI, Javier Rojas Terán, disse ter muita fé e esperança de que com esta eleição o organismo ecumênico se fortalecerá na sua missão e no seu trabalho, comprometido com as necessidades dos povos.

"Temos muitos desafios por diante, como dar respostas ao crescimento da pobreza, da fome, os temas ecológicos. Somos mordomos da Criação e como organismo ecumênico devemos pensar no mundo que estamos deixando às gerações futuras", assinalou.

"O Espírito Santo moveu-se de maneira especial", opinou o pastor pentecostal argentino e membro do Comitê Central, Hector Petrecca, da Igreja Cristã Bíblica. "Foi extraordinária a rapidez e o espírito de unidade com que se desenvolveu todo este processo. Uma mostra mais da fortaleza de nosso compromisso ecumênico”, agregou.

Para Magali Nascimento Cunha, da Igreja Metodista do Brasil e membro do Comitê Central, a sessão prévia à eleição foi muito bem conduzida, criando-se um clima de confiança e tranqüilidade entre os delegados. "Os dois candidatos foram muito sábios ao expressar suas visões do trabalho do CMI”, destacou.

"O ambiente que se respira depois desta eleição é de esperança", afirmou o pastor metodista uruguaio, Emilio Castro, secretário geral do CMI de 1985 a 1992. "Tenho a certeza de que neste processo não teve nem vencedores nem vencidos, senão que o movimento ecumênico se fortaleceu. Estou convicto de que os melhores anos do CMI estão diante de nós”, declarou.




quinta-feira, 27 de agosto de 2009

Cristão de 18 anos é falsamente acusado de estupro e blasfêmia

PAQUISTÃO (13º) - A agência International Christian Concern (ICC) relatou que um jovem cristão de 18 anos foi falsamente acusado de blasfêmia, agredido e preso em Gujranwala, Paquistão.

O jovem, Safian Masih, vivia em uma vizinhança de cristãos e muçulmanos. No dia 8 de agosto, a filha de um de seus vizinhos muçulmanos pediu que Safian levasse alguns itens da mercearia para ela. Safian recusou, e ela o estapeou. Então, ele a estapeou de volta e a discussão envolveu as duas famílias.

Após a briga, os pais da menina acusaram Safian de tentar estuprar sua filha. Quando os muçulmanos ouviram isso, eles se reuniram e muitos bateram nele. Depois disso, eles prestaram queixa na delegacia, acusando Safian de estupro e o entregaram para a polícia, para ser detido.

Dois dias depois, em 10 de agosto, os muçulmanos mudaram a história e acusaram Safian de blasfêmia, ao invés de estupro. Eles alegaram que a garota estava indo para a madrassa (escola islâmica) para aprender sobre o Alcorão, e que quando Safian a encontrou, ele pegou o livro das mãos da menina e o rasgou. Depois de saber sobre essa acusação, alguns muçulmanos atacaram Safian novamente, e o agrediram tanto que o forçaram a “admitir” que “blasfemou” contra o Alcorão. Então, eles o entregaram para a polícia.

No dia 14 de agosto, um grupo muçulmano se reuniu e pediu que Safian seja morto pela blasfêmia.

O jovem ainda está sob custódia da polícia, mas sua família fugiu de casa por temer por sua segurança. O grupo também ameaçou matar qualquer um que ajudasse Safian ou sua família.

Jonathan Racho, do ICC, disse: “No Paquistão, os cristãos vivem como cidadãos de segunda classe e enfrentam muita violência da maioria muçulmana. Normalmente, os muçulmanos exageram em pequenas discussões e pedem pela execução dos cristãos. Ainda que nós não concordemos com Safian ter estapeado uma jovem muçulmana, é um absurdo pedir que ele seja morto”.

Tradução: Portas Abertas

segunda-feira, 24 de agosto de 2009

Jesus não é uma MARCA

A evangelização na era do consumo tem muito do discurso do marketing – mas a Igreja não pode oferecer o Evangelho como bem de consumo

A marca Jesus é uma das mais conhecidas e rentáveis do mundo. O nome do Filho de Deus acompanha a humanidade há dois milênios, resistiu a toda sorte de crises – da opressão romana no início da Era Cristã ao comunismo, das trevas da Idade Média ao ateísmo filosófico do século 19 – e é a razão da fé de pelo menos 2 bilhões de pessoas. Seus ensinos e as frases que disse em seu ministério terreno – como o genial “Dai a César o que é de César” ou o inquietante “Quem não tiver pecado que atire a primeira pedra” – fazem parte dos mais diversos cases de marketing.

Mas são justamente as estratégias empregadas na propagação do Evangelho que têm causado mais controvérsia. Esta é a questão que se levanta quando pesamos os métodos de evangelismo público por parte de igrejas marcadas pela cultura ocidental, saturadas pelo marketing.

Ora, qualquer secundarista sabe que marketing pode ser definido como todas as atividades que ajudam empreendedores a identificar e moldar o desejo de seu alvo, os consumidores – e, então, satisfaze-los mais do que seus competidores o fazem. Isso geralmente envolve pesquisas de mercado, análise das necessidades do cliente, e, então, decisões estratégicas sobre design de produtos, preços, promoções, propaganda e distribuição.

A Igreja enfrentou – e enfrenta – questões inevitáveis por escolher manter o evangelismo pessoal e testemunho público em uma sociedade marcada por uma cultura consumista. A primeira questão é: Será que devemos transformar em artigo de mercado a Igreja e a mensagem de Cristo? Podemos usar técnicas de marketing no cumprimento do “Ide” de Jesus?

Temos condições de mudar o meio sem afetar a mensagem? Ou será que o próprio meio do marketing mancha nossa pregação, fazendo-nos resistir até o último suspiro a toda acomodação à nossa cultura de consumo?
Parece evidente que, a menos que nos abstenhamos de toda forma de evangelismo, o marketing é inevitável. Se ele é a linguagem da nossa cultura, os cristãos devem ter fluência nele, da mesma forma que os missionários transculturais precisam dominar o idioma dos povos aonde vão atuar.
O marketing é apenas a última encarnação dos clássicos modelos evangelísticos, como a persuasão e o exemplo de vida. Por esta perspectiva, o erro estaria em fazer um marketing da Igreja de forma pobre, o que a faria parecer menos do que ela é – como uma marca indesejável – para um público de não cristãos. Deve-se ter em mente, também, que o marketing tem um problema: às vezes, ele leva as pessoas a fazer exatamente o oposto do desejado.

Conflitos com a vida cristã – Em outros termos, as pessoas que respondem ao marketing eclesiástico encaram Jesus como uma mercadoria. Este é o primeiro e grande problema, pois isso é blasfêmia: nós estamos falando sobre o Logos encarnado, e não sobre uma logo. Por outro lado (caso blasfêmia não seja o suficiente…), isso deveria nos preocupar pelo problema que traz para o discipulado. O consumismo não é apenas um fenômeno social – é espiritual. Ele vem dos hábitos e comportamentos espirituais que conflitam com as práticas particulares da vida cristã.
Existem vários conflitos desta natureza, mas quatro se destacam como mais arriscados:

1. “Você é o que você compra” versus senhorio de Cristo – Em uma sociedade consumista, a identidade das pessoas vem do elas consomem. O principal foco de uma sociedade consumista é o consumidor – o que é essencial. Marcas comerciais não fazem nada para abalar essa auto-suficiência fundamental; na verdade, elas dependem disso. A dinâmica é simples – nós pagamos pelo privilégio de algumas marcas porque gostamos do que elas fazem por nós. Em contrapartida, as marcas estão bastante satisfeitas em receber nosso dinheiro. Consumidores espirituais, portanto, haverão de se aproximar da Igreja com o mesmo narcisismo com o qual se aproximam das demais marcas, com questionamentos como: “O que estou expressando a meu respeito, caso eu compre a marca Jesus?”; ou “Como o cristianismo completará a visão que eu tenho de mim mesmo?”.

A implicação teológica disso é: eu pertenço a mim mesmo. Sou meu próprio projeto, meu próprio produto. Essa é uma terrível rejeição à glória que deve ser dada a Deus como Criador. O perigo está no fato de que a Igreja passa, com isso, a transformar rapidamente o Evangelho em mera ferramenta de preenchimento pessoal. Pregações e evangelismo que enfatizam apenas os benefícios de se tornar um crente apresentam uma mensagem não muito diferente das propagandas que falam sobre as vantagens de determinados modelos de carros, por exemplo. Essa atitude prejudica o crescimento dos discípulos rumo a uma vida centrada em Deus e no próximo. Sim, a vida cristã traz plenitude para além da imaginação; mas ela vem apenas quando buscamos a Deus mais do que a nós mesmos. Aqueles que vêm à igreja esperando satisfações de mercado e procurando apenas salvar sua vida não encontrarão nem uma coisa nem outra.

2. Descontentamento versus a suficiência de Cristo – Embora o consumismo prometa plenitude pessoal, os ciclos econômicos dependem inteiramente de um descontentamento contínuo. No fundo, o consumismo não se trata apenas de comprar um produto novo, mas sim, de adquirir esse produto para que você se sinta novo. As pessoas que trabalham com o marketing sabem disso e planejam seus produtos de tal forma que o consumidor sempre é levado a desejar o novo que está por vir, o último modelo do que já tem.

Consumidores descontentes também carregam uma armadilha espiritual semelhante. Inicialmente, nossa busca perpétua por conforto e felicidade, na verdade, aniquila-se toda chance de satisfação de nossos desejos.

O prazer de comprar um novo produto ou serviço, na verdade, durará pouco tempo. Logo vai embora – e o pior é que imediatamente depois, passamos a desejar algo novo. Em seguida – e esta é uma questão perversa –, nós não conseguimos lidar com desconforto.

Como consumidores, buscamos novos produtos quando percebemos os primeiros sinais de irritação. Como as clinicamente identificáveis dependências de compras, esse é um espantoso indicador de uma cultura decadente.

A maioria das pessoas, nos mais diversos lugares, não tem o luxo de lutar por vidas livres do sofrimento e da dor. Evidentemente, termos todas as nossas necessidades sempre supridas é precisamente o oposto do que o discípulo deve experimentar. Paulo mostra uma indiferença quanto às circunstâncias da própria vida, sentimento que era fruto de sua maturidade espiritual: “Aprendi a viver contente em toda e qualquer situação.

Tanto sei estar humilhado como também ser honrado; de tudo e em todas as circunstâncias, já tenho experiência, tanto de fartura como de fome; assim de abundância como de escassez. Tudo posso naquele que me fortalece” (Filipenses 4.11-13).

A questão levantada pelo apóstolo não é que veremos todas as nossas necessidades prontamente assistidas, mas que, fazendo de Jesus o Senhor de fato de nossas vidas, precisaremos cada vez de menos coisas para termos satisfação completa. O discipulado, presente na comunidade cristã, tem como objetivo satisfazer com uma só coisa: o senhorio de Cristo em sua vida.

3. O relativismo das marcas versus o senhorio de Cristo – Um bom profissional do marketing busca formar um tipo de pessoa que se identifica tanto com sua marca que passa a considerar algo inimaginável a possibilidade de viver sem ela. Em se tratando de valores, esse tipo de entusiasmo parece indicar uma superioridade das marcas na vida de alguém.

Entretanto, subjacente a esse fanatismo pelas marcas, está o relativismo inerente no consumismo. Uma marca de celular não é inerentemente melhor do que a concorrente, embora produtos do gênero precisem ter certa dose de competição técnica. Uma delas pode até fazer um melhor trabalho de capturar as mentes e os corações; todavia, dizer que determinado logo é melhor do que outro é tão ridículo quanto afirmar que os moradores de Boston são melhores do que os moradores de Chicago.

Melhores por quais padrões? Para ser honesto, as marcas comunicam coisas diferentes umas das outras. No mercado americano de automóveis, Mercedes representa luxo, enquanto Honda expressa confiança. Ambas, porém, fazem o que devem fazer em termos de qualidade.
Portanto, a superioridade de uma sobre a outra está única e exclusivamente na cabeça do consumidor.

O consumidor que compra nosso marketing fará de Jesus sua marca escolhida, e o zelo resultante dessa escolha parecerá fé apaixonada. Aparências nos desapontam. Uma fé genuinamente apaixonada está enraizada em quem Cristo de fato é. Um zelo pela marca, por sua vez, está centrado na própria pessoa, pois a superioridade de uma marca sobre a outra depende tão somente do entusiasmo do seu devoto.

O zelo existente mascara a arbitrariedade da escolha. Entretanto, a escolha por Cristo não é arbitrária. Se um consumidor descontente com uma marca de TV escolhe outra, a primeira perde e a segunda ganha. Mas se uma pessoa deixa de escolher a Cristo para servir a outros deuses – ou a deus algum –, Cristo não é nem um pouco diminuído.

Consumidores espirituais não têm porque achar que o cristianismo não é uma opção entre muitas. Entretanto, a santidade na vida de uma igreja é um grande testemunho do contrário.
A igreja revela a supremacia de Cristo em um mundo que nega seu poder quando ama o que não é amado, perdoa o imperdoável, promove reconciliações aparentemente impossíveis e faz a perseverança triunfar sobre as dificuldades.

4. Fragmentação versus unidade de Cristo – A chave para o sucesso no marketing é a segmentação: dividir determinada população em grupos identificáveis por suas preferências relacionadas ao consumo. Trata-se de uma análise demográfica. Um profissional do marketing pode olhar para as contas mensais de uma pessoa, ou apenas para o CEP de seu endereço e descobrir coisas importantes para acerca de seu perfil de consumo.

As segmentações nos chamados nichos de mercado permitem aos marqueteiros concentrar suas mensagens em públicos mais restritos, tornando-as mais eficazes. Isso tem permitido que o ser humano do século 21 com capacidade de consumo possa viver praticamente alocado dentro de suas preferências.

Vivemos em bairros residenciais com pessoas que se parecem conosco, vamos a igrejas cujos membros têm perfil social semelhante ao nosso, passeamos com companheiros que têm os mesmos gostos que nós. Tudo isso contribui para relutarmos contra a vida em contextos nos quais as pessoas não são como nós.

Isso, é claro, é um problema para a Igreja. A unidade cristã é um valor bíblico inegociável. Pense na oração de Jesus em João 17, na exortação de Paulo aos filipenses para que fossem um com a mente de Cristo, ou na metáfora da Igreja como o corpo de Cristo, com diferentes membros igualmente importantes em suas funções.

Como Paulo afirmou em Gálatas 3.28, a unidade de Cristo rompeu todas as principais diferenças da sociedade romana: de tribo, classe e gênero. Com efeito, nenhuma identidade importa tanto quanto a identidade cristã.

Precisamos, portanto, estar atentos para as infiltrações da segmentação do marketing nas nossas igrejas. Isso tem provocado duas inaceitáveis consequências: igrejas extremamente homogêneas representando tendências consumistas e, na outra ponta, pequenos grupos homogêneos dentro de grandes igrejas.
Ambas as tendências tendem a nos separar dos que nos parecem “diferentes” e a nos levar uma comunhão restrita por padrões sociais, culturais, etários ou até mesmo étnicos – ou seja, caímos no nicho eclesiástico. Certamente foi a isso que Paulo referiu-se como “conformação com este século”, citada em Romanos 12.2.
O consumismo veio para ficar. Hábitos como autocriação, descontentamento, relativismo e fragmentação se tornarão mais dominantes nos próximos anos. Essa é a forma que a economia global e as transações comerciais julgam ser interessante.

Não podemos derrotar nossa realidade; podemos, sim, viver de forma fiel em meio a esse contexto. Para isso, é fundamental nos lembrarmos da natureza da Igreja de Cristo. Em todas as épocas, cristãos têm lutado para defini-la; é uma tarefa difícil porque é a única instituição divina e humana ao mesmo tempo.

A Igreja é como uma família, um reino, uma organização social, uma reduto de vida, de companheirismo e – para os nossos dias – um mercado. O problema se instaura quando procuramos definir a Igreja como um todo a partir de apenas um de seus aspectos. Ou seja, tratando-a como um mercado que tem uma marca a ser vendida. Se tratarmos o Evangelho como um produto, não estaremos levando aqueles que não crêem a pensar na cruz como apenas mais um logo?

Nós também precisamos entender, porém, que, não importa o que façamos, o consumismo inevitavelmente estará presente na forma pela qual as pessoas veem a Igreja em nossa sociedade. Toda nossa comunicação da Palavra de Deus será encarada como um marketing; toda exposição dos conteúdos do Evangelho será tida como um produto.

E o evangelismo será vist como uma venda. Nada há que possamos fazer para mudar esse contexto. Há ainda mais razões para desafiarmos as expectativas. Consumidores espirituais virão às nossas igrejas como vão às vitrines das lojas nos shoppings, procurando um produto que combine com suas preferências.

Eles desejarão isso porque consumir é a única salvação que eles conhecem. Trarão todos os seus recursos e terão grande dificuldade em entender a graça de Deus, porque não conseguem conceber algo que não pode ser comprado.

Eles virão à nossa vitrine buscando o que querem, da mesma forma como fizeram aqueles que foram a Jesus, em seus dias, buscando comprar seus produtos – os milagres que operava. Naquela época, eles estavam procurando por um mestre, um homem louco, um profeta ou revolucionário, e – no fim – por um cadáver. Hoje, eles estão buscando uma marca espiritual.
Nos dias de Jesus na Terra, quem o procurou encontrou um Messias vivo e um Senhor. Eles encontraram o Deus pelo qual nem mesmo estavam procurando. A pergunta que nos cabe, hoje, é se aqueles que o buscam hoje haverão de achá-lo no que se chama de corpo de Cristo, chamado para transformar o mundo – e se, procurando algo novo para comprar, serão surpreendidos por Deus.

Tyler Wigg-Stevenson é pastor batista e autor de Brand Jesus: Christianity in a Consumerist Age. Tradução: Daniel Leite Guanaes


quinta-feira, 20 de agosto de 2009

EUA inserem Índia em lista de países de grave intolerância religiosa

ÍNDIA (22º) - A Comissão Norte-americana de Liberdade Religiosa denuncia o imobilismo do Governo da Índia diante das graves discriminações de que são vítimas as minorias religiosas. Não se fez esperar a reação de Nova Délhi: "Ingerência indevida!"

Para a Igreja indiana é sinal da preocupação da comunidade internacional para com o aumento da intolerância religiosa no país.

A comissão inseriu a Índia na chamada "Watch List", a "lista de atenção que inclui os países nos quais as minorias religiosas sofrem graves discriminações. A comissão pede ao Governo do Presidente Barak Obama que faça pressões sobre o Governo de Nova Délhi, que "merece" – alega – ser inserido na lista, em razão da "resposta inadequada" às violências fundamentalistas contra os muçulmanos de Gujarat, em 2002, e contra os cristãos de Orissa, em 2008-2009.

Veemente a reação da Índia, que se vê equiparada a países como o Paquistão, Afeganistão, Egito, Indonésia, Somália e Cuba. O porta-voz do Ministério das Relações Exteriores da Índia, Vishnu Prakash, definiu a colocação de seu país na "Watch List" como uma "solicitação aberrante" e uma "ingerência indevida" na política do país.

O porta-voz da Conferência Episcopal da Índia, Pe. Babu Joseph, explica que a decisão da comissão "é uma clara indicação da crescente preocupação da comunidade internacional pelas repetidas falências da Índia, para conter a intolerância religiosa no país".

As relações entre a Índia e os EUA, em matéria de liberdade religiosa estão agitadas desde há muito. A Relação Anual sobre a Liberdade Religiosa elaborada pela Comissão de Liberdade Religiosa apresentado em Washington, em maio passado, falava de "sinais positivos" por parte da Índia. Em julho, porém, a comissão solicitara autorização para realizar uma visita a Orissa, para verificar a situação dos refugiados cristãos na região e suas condições após a série de ataques de que foram vítimas, perpetrados por fundamentalistas hunduístas. As autoridades indianas negaram o visto de ingresso, suscitando polêmicas. Agora, a Índia foi inserida na "Watch List".

segunda-feira, 17 de agosto de 2009

Rede incentiva jovens a debaterem crise

A Rede Ecumênica em Defesa das Pessoas Portadoras de Deficiência (EDAM) do Conselho Mundial de Igrejas (CMI), lançou desafio aos jovens das igrejas latino-americanas a realizarem consultas nacionais sobre a crise que se abate sobre o mundo.

José Aurelio Paz
Havana, sexta-feira, 14 de agosto de 2009

Em Quito, jovens portadores de deficiência procedentes de países da América Latina receberão, de 13 a 15 de outubro, subsídios para realizar esses encontros, para que possam abordar, com propriedade, a crise global, financeira, ecológica, alimentar, moral, ética e espiritual que a humanidade enfrenta.

Jovens do Haiti foram os primeiros a realizar tal tipo de encontro, ao abordar, numa perspectiva de esperança, a possibilidade de realizar a construção do Reino aqui e agora. Jovens da Costa Rica, reunidos em San Pedro de Montes de Oca, também realizaram Consulta sobre o tema.

Durante dois dias, jovens cubanos debateram a agônica situação da crise e redigiram declaração na qual expressam que um mundo melhor é possível para todos. “A Igreja deve unir-se a todo empenho humano que dignifique o homem e a mulher, e pelas mudanças que sejam necessárias”, definiram.

O coordenador de EDAM para a América Latina, reverendo Noel Fernández, explicou para a ALC que jovens portadores de deficiência do Brasil, Equador, Argentina e Peru preparam suas respectivas consultas.


Polícia interrompe culto e prende dois cristãos

CHINA (12º) - No dia 13 de agosto de 2009, diversos policiais invadiram uma comunidade de cristãos na cidade de Sanggu, em Henan, e amarraram os irmãos Li Guangren e Zheng Xincai. Os policiais interromperam o culto e sem nenhuma justificativa legal prenderam Li e Zheng, e os levaram em dois veículos.

Um correspondente internacional da rádio Free Asia entrou em contato com um membro da igreja não registrada para uma entrevista pelo telefone, para poder verificar as informações sobre o ataque. Nervoso com as prisões ilegais, o cristão chinês entrevistado foi contra a ação dos policiais, dizendo que essas violações de privacidade e liberdade são errôneas e injustas. Oficiais chineses monitoraram a ligação, e usaram-na como evidência para prender e condenar os dois cristãos, sob acusações de “atividades sociais ilegais”.

Na sexta-feira, 14 de agosto de 2009, o Escritório de Segurança Pública em Xiayi condenou Li Guang-ren e Zheng Xin-cai a 10 dias de detenção administrativa cada, e uma multa de 1.000 yuans.

Bob Fu, presidente da China Aid, denuncia a perseguição aos cristãos em Henan e pede para que os oficiais absolvam os irmãos Li e Zheng imediatamente.

Tradução: Portas Abertas

quinta-feira, 13 de agosto de 2009

Fé e pioneirismo

Igreja Presbiteriana do Brasil comemora os 150 anos da chegada do missionário Ashbel Simonton ao país

O navio Banshee, que aportou no Rio de Janeiro em 12 de agosto de 1859, depois de cinquenta e quatro dias de uma exaustiva viagem desde os Estados Unidos, não trazia apenas comerciantes, famílias e gente interessada em tentar a sorte do lado de baixo da linha do Equador. A bordo, um jovem de aspecto distinto e barba bem cuidada não deve ter chamado muito a atenção dos viajantes. Era Ashbel Green Simonton, missionário enviado ao Brasil pela Junta de Missões da Igreja Presbiteriana do Norte. A opção pela pregação do Evangelho no pouco conhecido Império da América do Sul foi uma guinada e tanto para um jovem com futuro promissor em sua terra. Advogado, teólogo e professor, o erudito Simonton, além de graduado no Seminário de Princeton, dominava francês, alemão, latim e italiano.
O preço da escolha seria ainda mais alto, já que, devido às péssimas condições sanitárias do Brasil de então, o missionário acabaria morrendo precocemente, provavelmente devido à febre amarela. Mas sua chegada, há exatos 150 anos, é um marco da implantação da fé protestante em território brasileiro. Foi ele quem fundou a Igreja Presbiteriana do Brasil (IPB), hoje uma das cinco maiores confissões evangélicas do país, com mais de 700 mil fiéis – fora as outras igrejas de linha reformada que se originaram na IPB. E todos eles estão em festa pela passagem do sesquicentenário.

Desde o ano passado, eventos e cultos solenes estão sendo realizados pelo Brasil, e o ponto alto das celebrações é agora em agosto. Além da inauguração de um monumento em homenagem a Simonton no Porto do Rio, está programada uma grande cruzada nacional de ação de graças na Praça da Apoteose.

“Muitos protestantes já haviam pisado em solo brasileiro, mas a maioria das iniciativas foram fracassadas, já que o país era oficialmente católico”, observa Alderi de Souza Mattos, historiador ligado à denominação. Na capital do Império, Simonton logo pôs as mãos na boa obra. Duas semanas após sua chegada, organizou o primeiro culto. Logo aprendeu o português e, em 1862, fundou a Igreja Presbiteriana do Rio de Janeiro, contando já com diversos novos convertidos. Foi dele a iniciativa de abrir um seminário teológico para formar obreiros nacionais, numa época em que missões transculturais tinham muito a ver com ideias colonialistas. “É preciso haver pastores brasileiros para brasileiros”, acreditava. Seu pioneirismo também ficou claro na fundação do primeiro jornal cristão do Brasil, o Imprensa Evangélica. “É impossível alcançar um país tão vasto sem o auxílio da palavra impressa”, escreveu na edição inaugural.

Expansão – Após um curto período nos Estados Unidos, onde casou-se com Helen Murdoch, o pastor Simonton voltou ao país em 1863, agora em definitivo. Montou escolas dominicais e organizou novas congregações em São Paulo. Àquela altura, tanto missionários que vieram para cá a seu convite – além do cunhado Alexander Blackford, Francis Schneider, George Chamberlain e Robert Lenington – como os obreiros brasileiros formados no Seminário Presbiteriano já semeavam a Palavra pelo interior paulista, sul de Minas Gerais e Bahia. Outro que contribuiu muito para a expansão do trabalho foi o ex-padre José Manoel da Conceição, primeiro brasileiro a ser ordenado ministro do Evangelho, em 1865.

Simonton morreu precocemente, aos 34 anos, em 1867, na cidade de São Paulo, sem poder ver a dimensão de seu legado. Nos anos seguintes, os presbiterianos deram uma notável colaboração ao crescimento do país, fundando estabelecimentos de ensino como a Escola Americana – precursora do tradicional Instituto Mackenzie –, hospitais e igrejas em todo o território nacional. Um dos principais marcos da presença da denominação no país é o majestoso templo da Catedral Presbiteriana do Rio de Janeiro, em estilo neogótico, tombado pelo Patrimônio Histórico. É ali que será celebrado, no dia 12 de agosto, o Culto do Sesquicentenário.



Carlos Fernandes

cristianismohoje.com.br

Presidente Lula participa de comemoração dos 150 de Igreja Protestante no Brasil

O presidente da República, Luiz Inácio Lula da Silva, disse hoje (12) que é preciso discutir a qualidade do conteúdo da televisão brasileira. Em discurso durante a comemoração dos 150 anos da primeira igreja protestante do Brasil, no Rio de Janeiro, o presidente afirmou que há poucos “momentos de bons ensinamentos” na programação televisiva do país.

“Se uma criança vê, das 7h da manhã à meia noite [na televisão], as pessoas andando com revólver para lá e para cá, as pessoas fumando droga, as pessoas roubando carro, o que essa criança vai formar dentro de si?”, disse.

De acordo com o presidente, o percentual de programação que fala de “integração familiar, amor e paz” é infinitamente inferior àquela que mostra violência. “Muito mais do que os problemas sociais seculares que o Brasil viveu, tem um problema crônico que nós temos que dar uma contribuição para resolver, que é a degradação da estrutura familiar deste país”, disse Lula.

O presidente afirmou que o assunto deveria receber a atenção dos senadores. Em alusão aos recentes episódios de discussão entre parlamentares, Lula disse que, em vez de se agredirem, os senadores poderiam “prestar atenção ao que a televisão está transmitindo”.

No discurso, dentro da catedral presbiteriana do Rio de Janeiro, o presidente defendeu ainda a liberdade religiosa e um Estado laico. Ele disse que parte das ações do governo federal, como o Programa Fome Zero, se baseiam em preceitos comuns à maioria das religiões, como o direito à alimentação.

Ele voltou a defender o Programa Bolsa Família e citou outros programas sociais do governo, como o Programa Universidade para Todos (Prouni) e o Luz para Todos, que leva energia elétrica a lugares distantes do Brasil.

A Igreja Presbiteriana do Brasil foi a primeira comunidade protestante a ser fundada no país, em 1859, pelo missionário norte-americano reverendo Ashbel Green Simonton.

Fonte: Agência Brasil / Gospel+

segunda-feira, 10 de agosto de 2009

A laicidade do Estado laico:

William Douglas

A propósito do debate sobre a retirada de símbolos religiosos das repartições públicas, alerto para a interpretação equivocada daqueles que propugnam tal medida.

O Estado é laico, isso é o óbvio, mas a laicidade não se expressa na eliminação dos símbolos religiosos, mas na tolerância aos mesmos. Em um país que teve formação histórica-cultural cristã é natural que haja na parede um crucifixo e isso não configura discriminação alguma.

Ao contrário, o pensamento deletério e a ser combatido é a intolerância religiosa que se expressa quando alguém desrespeita ou se incomoda com a opção e o sentimento religioso alheio, o que inclui querer eliminar os símbolos religiosos.

Nessa toada, como prenuncia o poema “No caminho, com Maiakóvski”, o culto e devoção terão que ser feitos em sigilo, sempre sob a ameaça de que alguém poderá se ofender com a religião do próximo. Nesse passo, eu, protestante e avesso às imagens (é notório o debate entre protestantes e católicos a respeito das imagens esculpidas de Santos), tive a ocasião de ver uma funcionária da Vara Federal onde sou Titular colocar sobre sua mesa uma imagem de Nossa Senhora de Aparecida. Vi tal ato com respeito, vez que cada um escolhe sua linha religiosa.

A imagem não me ofendeu, mas sim me alegrou por viver em um país onde há liberdade de culto. Quando vejo o crucifixo na sala de audiências não me ofendo por (segundo minha linha religiosa) haver ali uma “imagem esculpida”, mas reconheço nele a recordação de nossa natural e abençoada diversidade religiosa.

O crucifixo nas Cortes é, por sinal, uma salutar advertência sobre os erros judiciários e os riscos de os magistrados atenderem aos poderosos mais do que à Justiça. Além disso, se a medida for levada a sério, deveríamos também extinguir todos os feriados religiosos, mudar o nome de milhares de ruas e municípios e, ad reductio absurdum, demolir simbolos e imagens, a exemplo, que identificam muitas das cidades brasileiras, incluindo-se no cotidiano popular de homens e mulheres estratificados em variados segmentos religiosos.

Ao meu sentir, as pessoas que tentam eliminar os símbolos religiosos têm, elas sim, dificuldade de entender e respeitar a diversidade religiosa. Então, valendo-se de uma interpretação parcial da laicidade do Estado, passam a querer eliminar todo e qualquer símbolo, e por consequência, manifestação de religiosidade. Isso sim é que é intolerância.

Os católicos que começaram este país deixaram sua fé cristalizada. Querer extrair tais vestígios afronta o nosso legado histórico. Em certo sentido, querer sustentar que o Estado é laico para retirar os Santos e Cristos crucificados não deixaria de ser uma modalidade de oportunismo de quem não sabe conviver com a religião dos outros.

Todos se recordam do lamentável episódio em que um mau religioso chutou uma imagem de Nossa Senhora. Não é menos agressivo não chutar a Santa mas valer-se do Estado para torná-la uma refugiada, uma proscrita. Indo além, tal viés ataca todos os símbolos de todas as religiões, menos uma. Sim, uma: a “não religião”, e é aqui que reside meu principal argumento contra a moda de se atacar a presença de símbolos religiosos em locais públicos.

A recusa à existência de Deus não é uma opção neutra, mas uma nova modalidade religiosa. Se por um lado temos um ateísmo como posição filosófica onde não se crê na(s) divindade(s), modernamente tem crescido uma vertente antiteísta.

Esta nova vertente tem seus profetas, seus livros sagrados e dogmas, faz proselitismo, busca novos crentes (que nessa vertente de fé são os que optam por um credo que crê que não existe Deus algum). Como em todos os credos, há ateus educados e cordatos, e outros nem tanto. Há uma linha intolerante e, como ocorre em todas as religiões iniciantes ou pouco amadurecidas, mostra-se virulenta e desrespeitosa no ataque às demais.

Nesse passo, apresenta outra característica de algumas religiões, a arrogância, prepotência e desprezo à capacidade intelectual dos que não seguem o mesmo credo.
O principal profeta dessa religiosidade invertida (mas nem por isso deixando de ser uma manifestação religiosa) é Richard Dawkins, autor do livro “Deus, um Delírio”.

Ele está envolvido, como qualquer profeta, na profusão de suas ideias, fazendo palestras e livros, concedendo entrevistas e fazendo suas “cruzadas”.

A Campanha Out é uma proselitista em favor do ateísmo, tem seu símbolo (o “A”escarlate) e produz camisetas, jaquetas, adesivos, e broches vendidos pela loja online, cuja renda se destina à Fundação Richard Dawkins para a Razão e a Ciência (RDFRS).

Algo não muito diferente de outros profetas e credos. Naturalmente, Dawkins e seus seguidores têm todo o direito de pensarem e professarem qualquer fé ou a falta dela, mas só porque não creem em um Deus, não estão menos sujeitos aos valores, princípios e leis que, se não nos obrigam à fraternidade, ao menos nos impõem a respeitosa tolerância.

Não se pode identificar em qualquer símbolo religioso um inimigo nem se tentar cooptar a laicidade do Estado para proteger sua própria linha de pensamento.
Discutir os símbolos religiosos é mais fácil do que enfrentar a distribuição de renda, a fome, injustiça e a desigualdade social. Talvez mexer com os religiosos seja mais simples, divertido e seguro, mas certamente não mostra a capacidade de escolher prioridades.

Vale lembrar que católicos, judeus, evangélicos, espíritas e muçulmanos, e bom número de ateus gastam suas energias ajudando os necessitados. Nosso país, salvo raras e desonrosas exceções, é palco de feliz tolerância religiosa.

A eliminação dos símbolos religiosos atende aos desejos de uma vertente religiosa perfeitamente identificada, e o Estado não pode optar por uma religião em detrimento de outras.

A solução correta é tolerar e conviver com as diversas manifestações religiosas, incluindo Jesus, Buda, Maomé, Allan Kardec, São Jorge etc., sem que ninguém deva se ofender com isso. Por fim, acaso fosse possível uma opção, não poderia ser pela visão da “minoria” mas da “maioria”. O “respeito às minorias” já está razoavelmente assimilado, mas isso não inclui o direito à tirania da minoria.

Em suma, espero que deixem este crucifixo, tão católico apostólico romano quanto é, exatamente onde ele está.

A laicidade aceita todas as religiões ao invés de persegui-las ou tentar reduzi-las a espaços privados.

Eu, protestante e empedernidamente avesso às imagens esculpidas, as verei nas repartições públicas e saudarei aos católicos, que começaram tudo, à liberdade de culto e de religião, à formação histórica desse país e, mais que tudo, ao fato de viver num Estado laico, onde não sou obrigado a me curvar às imagens, mas jamais seria honesto (ou laico, ou cristão, ou jurídico) me incomodar com o fato de elas estarem ali.
William Douglas, juiz federal, professor e escritor

Fonte: www.cristianismohoje.com.br

Futuro da Unasul depende de 'equilíbrio' da postura brasileira, dizem analistas

A consolidação da União das Nações Sul-Americanas (Unasul) como um grupo político legítimo e de peso internacional depende de como o Brasil vai lidar com as divergências na região, avaliam especialistas. O analista Moisés Naím, editor-chefe da revista Foreign Policy, diz que o Brasil é visto como um ator "confiável" na região e que, por isso cabe a ele desempenhar o papel de intermediador entre as disputas.Mas o governo brasileiro precisa ter uma postura "mais equilibrada", na avaliação de Naím. Segundo ele, o Itamaraty deu um "mal sinal" ao criticar abertamente as bases americanas na Colômbia e ao mesmo tempo "ignorar" o fato de armamentos da Venezuela terem sido encontrados com as Forças Armadas Revolucionárias da Colômbia (Farc).

"Foi um sinal equivocado do Brasil, que parece tratar os países da Unasul com dois pesos e duas medidas", diz Naím.

Poupando Chávez
Segundo ele, o futuro da Unasul como um bloco de credibilidade depende mais da atitude brasileira do que de qualquer outro país da região.

"Se o Brasil, que é tido como o país mais equilibrado da região, tiver uma postura parcial, o que esperar do bloco?", questiona o analista.

Sua opinião é de que o Itamaraty vem adotando a estratégia de "poupar" o presidente Hugo Chávez, "a todo custo" - e que essa decisão pode comprometer a imagem da Unasul perante a comunidade internacional.

Naím diz ainda que a Unasul está com uma "agenda lotada", que inclui não apenas a questão das bases militares, mas também a crise diplomática entre Colômbia e Venezuela e também com o Equador.

"Tudo indica que nenhum desses assuntos será discutido em Quito. E caberia ao Brasil, principalmente, liderar essa discussão", diz.

Interesse brasileiro
O cientista político Marcelo Coutinho, coordenador executivo do Observatório Político Sul-Americano, do Instituto de Universitário de Pesquisa do Rio de Janeiro (Iuperj), diz que a Unasul enfrenta seu "segundo grande teste", desde que foi criada, em maio do ano passado.

O primeiro teste aconteceu ainda em 2008, quando o bloco contribuiu para dissolver um impasse entre governo e oposição na Bolívia.

O teste atual, segundo Coutinho, será "mais complicado" e vai exigir um esforço ainda maior da diplomacia brasileira.

Isso porque, a partir desta segunda-feira, a Unasul passa a ser presidida por Rafael Correa, do Equador.

"Sabemos que Correa tem uma postura menos parcial, com posicionamentos mais fortes", diz o professor do Iuperj.

Ele também concorda que a consolidação da Unasul depende principalmente de como o Brasil se posiciona diante dos conflitos regionais, "mesmo porque o Brasil é o mais interessado no bloco", diz.

"O esforço do Brasil pela criação da Unasul reflete o interesse do Brasil em ser o líder da região dentro do Conselho de Segurança nas Nações Unidas", diz.

Reunião tenta romper impasse sobre emissões de poluentes

Representantes de cerca de 190 países se reúnem na cidade de Bonn, na Alemanha, a partir desta segunda-feira até a sexta-feira para mais uma rodada de negociações em busca de um acordo para combater as mudanças climáticas. A expectativa é de que um tratado para substituir o Protocolo de Kyoto (que estabelece metas para redução das emissões de gases que provocam o efeito estufa) a partir de 2012 seja aprovado na reunião anual das Nações Unidas sobre o assunto, marcada para dezembro, em Copenhague, na Dinamarca.No entanto, os países desenvolvidos e em desenvolvimento chegaram a um impasse sobre limites de emissões.

As metas apresentadas pelos ricos são consideradas insatisfatórias pelo bloco dos países em desenvolvimento. Por outro lado, China e Índia se recusam a adotar qualquer tipo de meta de emissões, sob o argumento de que isso poderia atrapalhar o desenvolvimento.

De acordo com o enviado especial da BBC a Bonn David Shukman, o encontro de cinco dias vem sendo visto como a grande esperança para destravar as negociações, a menos de 120 dias do início do encontro de Copenhague, mas os obstáculos são grandes.

O apoio financeiro à adaptação a alguns países pobres - os mais duramente atingidos pelas mudanças climáticas - de modo a tirar as suas economias da dependência de combustíveis fósseis também está longe de ser um consenso.

Fonte de dinheiro
O problema não são as altas cifras necessárias, nisso todos concordam, mas a fonte dessa verba milionária.

Em Bonn, os representantes vão tentar reduzir a versão atual do pré-acordo, com cerca de 200 páginas. O problema é que há poucos meses, antes das primeiras reuniões, o texto tinha apenas 50 páginas. Ou seja: a cada rodada de negociações, mais ideias vêm sendo lançadas, em vez de chegar-se a acordos sobre os temas polêmicos.

O representante máximo da ONU para mudanças climáticas, Yvo de Boer, destacou, no entanto, que "o tempo está se esgotando".

"O desafio desta seção é reduzir o texto. Temos muito chão para percorrer", disse De Boer, que recentemente afirmou que os países ricos devem estar prontos a "pôr na mesa" em Copenhague pelo menos US$ 10 bilhões.

A secretaria-executiva da Convenção do Arcabouço das Nações Unidas para Mudança Climática (UNFCCC, na sigla em inglês) vem insistindo que o custo de combater o aquecimento global precisa ser dividido, e que o dinheiro deve ser usado para ajudar países em desenvolvimento.

Além disso, a secretaria sustenta que os principais países também devem estar dispostos a assinar um acordo com metas para redução de emissões de gases.

Em seu relatório de 2007, o Painel Intergovernamental para Mudanças Climáticas (IPCC, na sigla em inglês) recomendou reduções de 25% a 40% nas emissões até 2020, para manter o aquecimento global dentro dos limites considerados aceitáveis pelos cientistas.

Senador propõe o dia 31 de Outubro como o “Dia Nacional da Bíblia”

Ler a Bíblia pode trazer soluções a problemas e situações difíceis do dia-a-dia, disse o senador Edgar Espíndola Menino ao propor um Dia Nacional da Bíblia, a ser comemorado, anualmente, em 31 de outubro, marco da Reforma protestante.

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William Delgado
quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Trata-se, justificou o parlamentar, de uma “homenagem ao texto que foi instrumento fundamental no desenvolvimento jurídico, de princípios éticos e de valores para, com isso, abrir a porta espiritual dos colombianos para crescer como Nação. É uma ferramenta que nos permite reconstruir o país através do perdão e a reconciliação”.

O congressista convidou católicos e evangélicos de todas as denominações para leiam a Bíblia. “A Bíblia é um livro assombroso, foi traduzida mais do que qualquer outro livro. Foi escrita por uns 40 homens, sobre os grandes temas de Deus, do homem, da moralidade, da salvação e da vida eterna”, explicou.

O texto sagrado permite o estabelecimento de uma escala de valores que as pessoas devem observar na vida cotidiana, “o que redunda em benefício da construção de uma sociedade mais solidária, mais sadia, mais justa, mais respeitosa das autoridades, mais includente e humana”, afirmou.

O projeto assinala que governadores e prefeitos, dentro de suas respectivas jurisdições, adotarão medidas administrativas adequadas para a celebração do Dia Nacional da Bíblia, em concordância com a importância que este Livro Sagrado representa para o povo colombiano.

As atividades programadas para a celebração do Dia Nacional da Bíblia serão transmitidas pelos meios de comunicação do Estado, reza o projeto.

Fonte: ALC / Gospel+

WACC defende direitos indígenas à comunicação

A Associação Mundial para a Comunicação Cristã (WACC, a sigla em inglês) está empenhada em garantir às comunidades indígenas o acesso à informação e que possam criar seus próprios meios, a fim de superarem a marginalização histórica, social, política e econômica a que estão submetidos há séculos.

“O cumprimento dos direitos humanos exige o reconhecimento do direito à comunicação, direito que permite aos indivíduos e às comunidades expressarem suas necessidades, fazer escutar sua voz e participar, de modo pleno, em seu próprio desenvolvimento”, declarou o secretário-geral da WACC, reverendo Randy Naylor.

Naylor lembrou, por ocasião do Dia Internacional dos Povos Indígenas, comemorado ontem, que a Declaração sobre os Direitos dos Povos Indígenas, aprovada pela ONU em 2007, reconhece em vários de seus artigos o direito à comunicação.

Mas esse reconhecimento deve traduzir-se em políticas específicas, defendeu Naylor. A WACC destacou que, recentemente, governos do México, Honduras e Chile reprimiram e eliminaram a possibilidade de comunidades indígenas criarem os seus próprios meios de comunicação.

“Nossos avós mayas, os da palavra antiga, os visionários do tempo e das estrelas, os tecedores de ideias, nos deixaram uma herança inestimável: sua palavra escrita nos livros e nos códigos, comentada todos os dias nas comunidades, o que é símbolo para comunicar-nos, trocar pensamentos e sonhos”, afirmou o líder do El Jornaleiro, Russel Pemba, de Yacatán, México.

Lamentavelmente, as comunidades mayas e povos indígenas de todas as partes testemunham o silenciar dessas palavras, agregou Pemba.

WACC comemora, contudo, o reconhecimento dos direitos de comunidades aborígenes, inseridos na constituição boliviana, país onde indígenas somam 57% da população total.

Paulo César de Souza: Ficar velho virou defeito

Presidente da Ass. Nacional dos Servidores da Previdência

Rio - Fiquei recentemente chocado com o que li na mídia sobre a Previdência. Um editorial condena o envelhecimento e a longevidade dos brasileiros, que estaria ameaçando o equilíbrio das contas públicas, o PIB, o crescimento, o déficit público, o superávit fiscal, o superávit primário, a lucratividade dos bancos e seguradoras.
É decente uma Previdência Social que paga a 70% dos seus 26,5 milhões de beneficiários (18 milhões urbanos), um salário mínimo? Respondo de pronto: É indecente, imoral, desumano. É um crime contra os direitos humanos.

É indecente porque os urbanos (milhões) contribuíram na forma de um contrato social durante 35 anos para que tivessem na velhice um benefício compatível com o seu nível e sua qualidade de vida, conquistados enquanto foram produtivos e úteis à sociedade.

O grupo que prega e defende a preservação e manutenção dos contratos, especialmente os especulativos e voláteis da globalização, não se move quando o governo não reconhece os contratos previdenciários.

Se um cidadão paga para ter direito a uma aposentadoria de 10 pisos ou salários, não é justo, ético, correto, digno, que receba dois salários, por conta do fator previdenciário. Se este mesmo cidadão pagou para ter direito a 10 pisos ou 10 salários, recebeu oito nos primeiros anos, e hoje está reduzido a quatro e caminhando para um. Isto é justo, ético, correto, digno?

Na realidade, é o desprezo das elites brasileiras por seus velhos, considerados descartáveis. A geração atual, destinada a produzir um volume de idosos duas vezes maior, ainda não se deu conta das mudanças demográficas, em processo, acelerado.

Fonte: O Dia

quinta-feira, 6 de agosto de 2009

Repórteres libertadas na Coreia do Norte voltam aos EUA

COREIA DO NORTE (1º) - Duas jornalistas norte-americanas libertadas pela Coreia do Norte após meses de prisão retornaram aos EUA nesta quarta-feira acompanhadas pelo ex-presidente Bill Clinton, que obteve a libertação delas em um encontro com o recluso líder do país comunista King Jong-il.

Laura Ling, de 32 anos, e Euna Lee, de 36, repórteres da TV a cabo Current, que tem como um dos fundadores o vice-presidente de Clinton, Al Gore, desembarcaram com o ex-presidente num jato privado, no aeroporto de Burbank, perto de Los Angeles, vindo diretamente da Coreia do Norte.

As duas jornalistas foram detidas em 17 de março por cruzar ilegalmente a fronteira entre a China e a Coreia do Norte quando faziam reportagens sobre tráfico de mulheres. Elas foram condenadas em junho a 12 anos de trabalhos forçados.

Ling levantou os braços quando as duas desceram do avião para um encontro cheio de lágrimas com suas famílias no hangar do aeroporto.

Ela disse que as duas temiam ser levadas a qualquer momento para um campo de trabalhos forçados mas, em vez disso, na terça-feira, foram conduzidas a um local onde Clinton as esperava.

"Sabíamos que o pesadelo de nossas vidas havia finalmente chegado ao fim", disse ela a jornalistas.

Ling agradeceu a todos, conhecidos ou não, que fizeram campanha pela libertação delas. "Nós pudemos sentir seu amor todo o tempo na Coreia do Norte. Foi o que nos manteve firmes nas horas mais sombrias."

Clinton foi recebido com fortes aplausos e um abraço de Gore.

"O presidente (Barack) Obama e um número incontável de pessoas de seu governo estiveram profundamente envolvidos", disse Gore.

Obama disse estar "extraordinariamente aliviado" com o retorno das duas jornalistas e relatou ter conversado com Clinton.

"Quero agradecer ao presidente Clinton -- já tive a oportunidade de falar com ele -- pelo extraordinário esforço humanitário que resultou na libertação das duas jornalistas", disse Obama.

A mulher de Clinton, a secretária de Estado norte-americana, Hillary Clinton, disse a repórteres em Nairóbi, no Quênia, que está feliz e aliviada. Ela acrescentou que não há conexão entre o esforço para libertar as duas jornalistas e a espinhosa questão nuclear com a Coreia do Norte.

Missão particular

Segundo uma autoridade norte-americana, Bill Clinton não prometeu nenhuma recompensa ao governo de Pyongyang para conseguir a libertação.

A fonte disse que Clinton conversou com o líder norte-coreano sobre "as coisas positivas que podem acontecer" a partir da libertação de Laura Ling e Euna Lee.

A fonte não deu mais detalhes, mas alguns analistas especularam que a visita de Clinton e as negociações com Kim Jong-il podem abrir as portas para a retomada das conversações sobre o desarmamento da Coreia do Norte.

Os EUA têm pela frente a ardilosa tarefa de tentar convencer o governo norte-coreano a abandonar seu sonho de se tornar uma potência nuclear sem que essa iniciativa seja vista como uma espécie de recompensa pelas repetidas ações militares da Coreia do Norte ao mesmo tempo que as reivindicações de outras nações da região são ignoradas, dizem analistas.

"O presidente Clinton deixou claro que essa era uma missão humanitária puramente particular", disse a autoridade dos EUA a jornalistas em Washington, após Kim ter perdoado as jornalistas e permitido que elas voltassem a Los Angeles com Clinton.

A Coreia do Norte havia concordado antes da viagem de Clinton que a visita do ex-presidente não teria ligação com a questão nuclear, disse a autoridade, falando sob condição de anonimato.

A fonte afirmou também que a Coreia do Norte ficará ainda mais isolada se continuar com seu "comportamento provocativo", que tem incluído testes nucleares e de mísseis. O governo dos EUA vai manter os esforços para pôr em prática as sanções aprovadas pela ONU contra o país, depois que realizou um teste nuclear, em 25 de maio.

A Coreia do Norte ocupa a primeira posição na Classificação de países por perseguição, publicada anualmente pela Missão Portas Abertas. No país, cristãos são executados publicamente, e não têm liberdade nenhuma para seguir sua religião. Leia mais sobre a situação de nossos irmãos na Coreia do Norte no artigo “E se fosse você?” em nosso blog.


O sentimento expressado pelas jornalistas é o mesmo que nossos irmãos têm. Através de nossas orações, eles podem sentir o amor de Deus e receber forças do Senhor. Lembre-se sempre dos cristãos perseguidos.

Fonte: Reuters

terça-feira, 4 de agosto de 2009

Governo libera Tamiflu para pessoa fora do grupo de risco

ANGELA PINHO
JOHANNA NUBLAT
da Folha de S.Paulo, em Brasília

A partir desta semana, médicos poderão receitar o medicamento contra a gripe suína para pacientes que não se enquadram nos casos previstos no atual protocolo de tratamento --síndrome respiratória grave ou com algum fator de risco, como cardiopatia e gravidez.


A mudança será introduzida no protocolo nos próximos dias, segundo o secretário de Vigilância em Saúde do ministério, Gerson Penna. O documento trará uma caixa em vermelho com a frase: "Qualquer indicação diferente das recomendadas neste protocolo fica na inteira responsabilidade do médico prescritor e da autoridade sanitária local".

Segundo Penna, a orientação do ministério continua a mesma, mas foi aberta a possibilidade de o médico decidir iniciar tratamento em casos excepcionais. "Não posso, de Brasília, tratar as exceções. A regra é a que está no protocolo."

A mudança no protocolo é a terceira orientação do ministério em relação ao tratamento da influenza A (H1N1), que já deixou 92 mortos no país.

Quando apareceram os primeiros casos do novo vírus no Brasil, a orientação era medicar todos os pacientes com suspeita ou confirmação laboratorial da gripe. No final de junho, o ministro José Gomes Temporão anunciou a restrição do remédio a pacientes com fator de risco ou com a doença agravada. O objetivo era evitar que o vírus adquirisse resistência.

A medida atende a especialistas que se reuniram ontem com autoridades do ministério, como Mauro Salles e Juvencio Furtado, da Sociedade Brasileira de Infectologia. "Tratar todo mundo indiscriminadamente não vai ser feito, o médico vai tratar os casos que ele acha que deve, em que há algum potencial risco", disse Furtado.

Horas antes, Temporão havia dito que era uma "irresponsabilidade social" a ação judicial em que a Defensoria Pública da União no Rio pedirá que o fosfato de oseltaminavir seja oferecido em toda a rede.

A Opas (Organização Pan-Americana da Saúde, braço da OMS na América) também mudará a indicação de uso do Tamiflu até a próxima semana, detalhando sinais e sintomas que podem levar o paciente diagnosticado ou com suspeita da gripe A a ficar grave.

O objetivo é que o medicamento seja aplicado antes de o paciente evoluir para uma situação de gravidade, de acordo com Jarbas Barbosa, gerente de vigilância, prevenção e controle de doenças da Opas.

Em pacientes adultos com febre e sintomas respiratórios, alguns dos sinais de potencial agravamento são desidratação e frequências cardíacas e respiratórias elevadas. Em crianças, os sinais são: respiração rápida, cianose (extremidades azuladas) e incapacidade de mamar.

Casos

O vírus Influenza A (H1N1) já responde por mais da metade dos casos de gripe no país, segundo Temporão. "O número que nós temos é que 60% dos casos são de H1N1 e 40% da sazonal." De acordo com ele, os dados sobre a gripe suína indicam que ela "tem uma letalidade mais baixa do que a sazonal".

segunda-feira, 3 de agosto de 2009

O direito de todas as crianças e adolescentes à convivência familiar

A sanção da nova Lei Nacional de Adoção pelo presidente Lula nesta segunda, 3/8, deve ser um momento de avaliação e reflexão para cidadãos e cidadãs de bem desta nação que lutam pelo direito de toda criança e adolescente a ter um lar e conviver com uma família. O texto da Lei, aprovada no Legislativo em 15/7, “é centrado na garantia do direito de crianças e adolescentes à convivência familiar e comunitária, estabelecida pelo Estatuto da Criança e do Adolescente (ECA - arts. 4º e 19) e Constituição Federal (art. 227). A proposta permite que a adoção seja feita por maiores de 18 anos, independentemente do estado civil, e, no caso de adoção conjunta, exige que os adotantes sejam casados civilmente ou mantenham união estável”.

Entre as inúmeras sugestões de mudanças na lei atual está a definição do conceito de família ampla, com o empenho na permanência dos menores na família original e, em caso de impossibilidade, com parentes próximos como avós, tios e primos. Também será reduzido o tempo de permanência nos abrigos, que deverá ser, no máximo, de dois anos e, preferencialmente, em endereço próximo ao da família.

O cadastro nacional de pais adotantes conta atualmente com 22 mil candidatos, enquanto duas mil crianças esperam pela adoção. Outra medida é a não punição da adoção informal no Brasil, sem a intermediação das autoridades. Mas o texto incorpora o estímulo à adoção legal, isto é, devidamente registrada e com todas as garantias judiciais.

Pareceres das comissões do Senado que analisaram a Lei relembram informações importantes para os que atuam na área de acolhimento e proteção da criança e do adolescente no Brasil. São as seguintes:

Redução dos preconceitos e barreiras psicológicas à adoção daqueles que mais necessitam

“A constatação de que a imensa maioria das crianças e adolescentes abrigados tem família e não possui as características próprias daqueles considerados adotáveis, ao menos por pessoas ou casais nacionais – seja porque tem idade superior a três anos, seja porque pertencem a grupos de irmãos ou apresentam alguma deficiência ou necessidade específica de saúde – exige revisão das normas legais e das políticas públicas adotadas pelo Brasil.”

“Foi estabelecida, em relação à adoção, a obrigatoriedade da participação dos postulantes à adoção nos programas de orientação, voltados ao estímulo à adoção tardia, inter-racial, de grupo de irmãos, de deficientes ou com problemas de saúde, o que contribuirá para a redução dos preconceitos, estereótipos e barreiras psicológicas à adoção daqueles que mais necessitam, bem como dos problemas decorrentes dos seus encaminhamentos às pessoas que não estão preparadas para assumi-los.”

Abrigos e programas de acolhimento familiar

“Os abrigos passarão a ser denominados de “programa de acolhimento institucional”, com a previsão de implantação de um cadastro de crianças e adolescentes acolhidas e da necessidade de autorização judicial para o acolhimento, em qualquer circunstância, o que contribuirá para evitar a banalização da institucionalização.”

“A oficialização de programas de acolhimento familiar, a exemplo do programa denominado “família acolhedora”, reveste-se de muita importância, em razão de ser uma alternativa ao acolhimento institucional.”

“A obrigatoriedade da reavaliação periódica, de, no máximo, a cada seis meses, da situação jurídica e psicossocial da criança ou adolescente que se encontre em acolhimento familiar ou institucional é de grande valia.”

“A criança ou adolescente não deve permanecer por mais de dois anos em serviço de acolhimento, salvo comprovada necessidade, fundamentada pela autoridade judiciária (...) Além dos prejuízos advindos da privação do convívio familiar, a diminuição das chances de colocação em adoção com o passar da idade é uma realidade no contexto brasileiro.”

“O documento “Orientações Técnicas: Serviços de Acolhimento para Crianças e Adolescentes”, em processo de aprovação pelo Conanda e pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS, apresentou, na versão disponibilizada para consulta pública em 2008, orientações aos técnicos sobre como avaliar qual o melhor serviço para o atendimento a cada criança e adolescente e, quando necessário, proceder à sua transferência, cercada de cuidados como a preparação da criança ou adolescente em questão, dos demais acolhidos e dos profissionais de ambos os serviços.”

“Segundo os dados do relatório do Instituto de Pesquisa Econômica Aplicada – IPEA, que efetuou o levantamento nacional de abrigos para crianças e adolescentes no Brasil, em um total de 682 instituições atendendo a cerca de vinte mil crianças, foi possível concluir que, para a maioria dessas crianças, de nada adianta a simples modificação das disposições legais relativas à adoção, sendo necessárias modificações mais profundas, que busquem explicitar o dever do Poder Público em todos os níveis, no sentido de elaborar e implementar políticas públicas destinadas a assegurar o efetivo exercício do direito à convivência familiar, em suas mais diversas formas.”

Outras informações relevantes

“O Plano Nacional de Promoção, Proteção e Defesa do Direito de Crianças e Adolescentes à Convivência Familiar e Comunitária foi elaborado e aprovado pelo Conselho Nacional dos Direitos da Criança e do Adolescente – CONANDA e pelo Conselho Nacional de Assistência Social – CNAS.”

“O Cadastro Nacional de Adoção já foi criado e implementado pelo Conselho Nacional de Justiça, também responsável por sua manutenção.”

“Em conformidade com o novo ordenamento jurídico, que entende a criança e o adolescente como sujeitos de direito, o poder familiar deve ser entendido como um direito do filho de conviver com os seus pais ou responsáveis, os quais devem assegurar os cuidados ao seu desenvolvimento, em contraposição ao posicionamento já ultrapassado que concebia o poder paterno como um poder absoluto.”

* Com informações da Agência Senado